Visita de assessor de Trump a Bolsonaro pode representar 'interferência externa', diz Itamaraty
Em resposta ao pedido de esclarecimentos do ministro Alexandre de Moraes, o Ministério das Relações Exteriores informou ao STF que a possível visita de um assessor do governo de Donald Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro pode representar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
A defesa de Bolsonaro pediu autorização para que Darren Beattie -- assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos -- visitasse o ex-presidente na prisão. No documento enviado ao Supremo, Mauro Vieira destacou que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente brasileiro -- especialmente em ano eleitoral -- pode caracterizar interferência externa em assuntos internos do país.
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O chanceler também informou que o pedido de visita partiu diretamente dos advogados de Bolsonaro e não tramitou previamente pelo Ministério das Relações Exteriores.
O Itamaraty acrescentou ainda que apenas nesta quarta-feira (10) a Embaixada dos Estados Unidos solicitou reuniões de Beattie com autoridades do ministério em Brasília, incluindo encontros com a Coordenação-Geral de Combate a Ilícitos Transnacionais e com a Secretaria de Europa e América do Norte, previstos para 17 de março. Segundo a pasta, os encontros ainda não foram confirmados e não constavam na justificativa inicial apresentada para a concessão do visto diplomático.
Moraes havia autorizado a visita de Darren Beattie ao ex-presidente no dia 18 de março, quarta-feira, seguindo as regras da Papudinha -- onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão. A defesa, no entanto, tinha pedido que o encontro fosse realizado no dia 16 ou 17 de março, em razão de agenda do enviado norte-americano a Brasília.
