Vírus Nipah: OMS avalia gravidade de surto na Índia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou a gravidade do surto do vírus Nipah, cuja letalidade pode chegar a 75% dos casos, no estado de Bengala Ocidental, na Índia, e disse que “a probabilidade de disseminação para outros estados indianos ou internacionalmente é considerada baixa”.
Após nenhum caso adicional ter sido detectado, a organização classificou o risco nacional, regional e global do vírus Nipah no momento como “baixo” e afirmou que “não recomenda quaisquer restrições a viagens ou ao comércio”.
Segundo a OMS, os dois casos indianos foram registrados no distrito de North 24 Parganas. Ambos os pacientes, uma mulher e um homem, são enfermeiros de 25 anos que trabalham no mesmo hospital na cidade de Barasat.
Eles desenvolveram os primeiros sintomas na última semana de dezembro, que evoluíram rapidamente para complicações neurológicas. Os dois foram colocados em isolamento no início do mês, e os casos foram considerados suspeitos para o vírus Nipah no último dia 11. Dois dias depois, foi confirmada a doença.
Na atualização mais recente, o homem estava se recuperando, enquanto a mulher continuava em estado crítico. No último dia 27, o Ministério da Saúde indiano afirmou que foi alcançada uma “contenção oportuna” do surto após a implementação de medidas de saúde pública, e que nenhum caso adicional do vírus foi registrado.
"Um total de 196 contatos ligados aos casos confirmados foi identificado, rastreado, monitorado e testado. Todos os contatos rastreados foram considerados assintomáticos e testaram negativo para a doença pelo vírus Nipah", disse.
Esse é o sétimo surto de Nipah documentado na Índia desde 2001 e o terceiro registrado em Bengala Ocidental. Os dois surtos anteriores no estado ocorreram em 2001 (Siliguri) e em 2007 (distrito de Nadia). Especificamente em Bengala Ocidental, a OMS avaliou que o risco atual é “moderado” devido à presença de reservatórios de morcegos frugívoros que carregam o vírus.
O vírus Nipah (NiV) circula principalmente entre morcegos do gênero Pteropus que se alimentam de frutas, mas pode ser transmitido a outros animais e a humanos por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre as pessoas.
Quando o indivíduo é infectado, o Nipah se manifesta de diferentes formas, desde doenças respiratórias até encefalites (inflamação no cérebro) fatais, segundo informações da OMS.
Sintomas do vírus Nipah
Geralmente, os sintomas começam com febre, dores de cabeça, mialgia (dor muscular), vômitos e dor de garganta, que podem ser seguidos por tonturas, sonolência, consciência alterada e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda.
Algumas pessoas também podem experimentar pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo desconforto respiratório agudo.
A encefalite e as convulsões ocorrem em casos graves, progredindo para o coma dentro de 24 a 48 horas. Acredita-se que o período de incubação do vírus, o intervalo entre a infecção e o início dos sintomas, seja de 4 a 14 dias. Um período de incubação de até 45 dias, porém, já foi relatado.
A taxa de letalidade é estimada em 40% a 75% dos casos, o que varia a depender do surto e das capacidades locais para vigilância epidemiológica e atendimento médico.
Não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus Nipah, embora a OMS tenha identificado o agente infeccioso como uma das doenças prioritárias para o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da organização.
O tratamento atual envolve cuidados intensivos de suporte para tratar a respiração grave e complicações neurológicas.
Origem do vírus Nipah
O vírus Nipah foi reconhecido pela primeira vez em 1999 durante um surto entre fazendeiros de porcos na Malásia. Desde então, tem provocado pequenos surtos em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura.
Os morcegos hospedeiros do vírus, no entanto, são encontrados em toda a Ásia e no Pacífico Sul, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas, Tailândia, e na Austrália.
No primeiro surto identificado, há quase 30 anos, a contaminação ocorreu pelo consumo de porcos doentes. Em surtos em Bangladesh e na Índia, o consumo de frutas ou produtos de frutas contaminados com urina ou saliva dos morcegos foi considerado a fonte mais provável de infecção.
Transmissão do vírus Nipah
Já a transmissão entre humanos foi relatada entre familiares e cuidadores de pacientes contaminados por meio do contato próximo com as secreções e excreções das pessoas. No surto indiano de 2001 2001, por exemplo, 75% dos casos ocorreram entre funcionários ou visitantes de um hospital.
De 2001 a 2008, cerca de metade dos casos relatados em Bangladesh foram devido à transmissão de humano para humano por meio da prestação de cuidados a pacientes infectados.
