'Virou um rio': câmeras registram como avenida no Capão Redondo foi engolida em dez minutos pela água

 

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Quem observa as imagens das câmeras de segurança da Avenida Ellis Maas, no Capão Redondo, tem a dimensão exata do pânico vivido por moradores e comerciantes na última sexta-feira (16). Os registros de dois ângulos diferentes mostram uma transformação assustadora: o que era uma chuva de verão habitual às 17h01 se converteu em uma corredeira violenta capaz de arrastar veículos pesados às 17h12.

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No vídeo, às 17h02, o asfalto está apenas molhado e pedestres ainda transitam pela calçada. Apenas dois minutos depois, às 17h04, a água barrenta já cobre o meio-fio e começa a lamber a entrada das lojas. O desespero aumenta visivelmente entre 17h06 e 17h08, quando a enxurrada ganha força e volume, invadindo os estabelecimentos.

Às 17h12, a avenida desaparece por completo: as imagens mostram a via transformada em um rio caudaloso, carregando lixo, destroços e arrastando um SUV preto que flutua impotente diante da força da correnteza.

Câmera mostra velocidade que água subiu na Av Ellis Maas, na Zona Sul de SP

Liliane dos Santos, de 42 anos, assistiu tudo de dentro de sua loja de bolos. Ela havia mudado o comércio para aquele ponto recentemente, acreditando estar em um local mais alto e protegido das cheias que castigam a região há anos. A falsa sensação de segurança, no entanto, foi quebrada pela visão da água subindo rapidamente, impulsionada pelo transbordamento de um córrego localizado acima da avenida.

— Eu estou na região aqui há sete anos, já passei por alguns alagamentos, mas nunca nessa proporção, nunca. Tanto é que a minha loja era do outro lado da rua, do lado da farmácia, e lá já entrou água, mas era um fio de água, assim, nunca tive prejuízo nenhum lá, nunca. E eu mudei para um espaço um pouco maior e onde era mais alto, do outro lado da rua.

Então, assim, eu achei que eu estava segura, tanto é que eu não tenho comportamento na loja, mas realmente eu achei que estava tudo bem — conta a comerciante

Liliane conta que a força da água não deu chance de reação. Mesmo não tendo perdido os equipamentos de refrigeração por muito pouco, o trauma daquela tarde permanece. Para quem vive ali, a chuva deixou de ser apenas um fenômeno meteorológico para se tornar um sinal de alerta iminente.

— Tudo vira um rio, de uma altura de uns três metros. Assim, é muito, é muito alto. Muita coisa sendo arrastada pela correnteza, mas quando eu vi passar quatro carros boiando, arrastados com velocidade, foi desesperador — finaliza.