Virginia e Vini Jr: pomada íntima pode ser detectada em teste antidoping?

 

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Uma declaração feita pela empresária e influenciadora Virginia Fonseca levantou uma dúvida para muitas pessoas: é possível que uma pomada íntima seja detectada em teste antidoping? E, surpreendentemente, a resposta é que pode.

Durante uma entrevista com o jornalista Leo Dias, Virginia declarou que precisa comunicar ao jogador de futebol Vini Jr., seu namorado, sobre qualquer uso de pomadas ginecológicas na área íntima. Isso porque certas substâncias podem ser identificadas em testes antidoping realizados pelo atleta e acarretar numa eventual desclassificação.

Como uma pomada íntima é detectada pelo antidoping e se torna um problema?

De acordo com a ginecologista Zsuzsanna Jarmy Di Bella, assessora da diretoria científica da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a principal maneira disso acontecer é através do uso de um princípio ativo proibido pela Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês).

Um deles é o clostebol, um esteroide derivado da testosterona, que pode estar presente em uma pomada cicatrizante para a região íntima. E a principal maneira desse tipo de medicamento entrar em contato com um parceiro atleta é através das relações sexuais.

A aplicação do remédio tópico (ou seja, aplicado diretamente na pele) pode ser transferido para o órgão sexual do parceiro e atravessar a barreira da pele dele.

— Nessa situação, o WADA consegue detectar mesmo que sejam mínimas quantidades do produto — explica Di Bella.

Outro cenário, segundo o ginecologista Guilherme Henrique Santos, especialista em estética íntima, é a reposição hormonal feita a partir de pomadas vaginais à base de estrogênio, testosterona e DHEA (deidroepiandrosterona), que também estão incluídos na lista de proibição da WADA.

— Já as pomadas ginecológicas tradicionais, como antifúngicos, antibióticos vaginais ou estrogênios locais, em geral não representam risco relevante para o parceiro — aponta Santos.

Embora seja possível que o contato com tais medicamentos cause a detecção no exame, especialistas esclarecem que essa situação é algo raro de se acontecer.

Suspensão por pomada já ocorreu

A preocupação, porém, é válida. Em 2004, a ex-atleta brasileira Maurren Maggi, saltadora e velocista, foi suspensa pelo WADA por utilizar um creme cicatrizante que continha clostebol depois de passar por uma sessão de depilação. A suspensão foi de dois anos no total.