Viradouro surpreende Sapucaí com leão rugindo no abre-alas; alegoria tem 15 metros

 

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Viradouro, penúltima escola a desfilar na Sapucaí no segundo dia do Grupo Especial, montou um desfile para homenagear o Mestre Ciça. Em um ano especial, a atriz Juliana Paes voltou ao trono de rainha de bateria. E Erika Januza, última a ocupar o posto, também desfila, agora como destaque no carro que celebra os títulos do mestre pela escola. Um dos destaques do desfile chamou a atenção da arquibancada: a Viradouro levou um leão para rugir bem alto no abre-alas. O leão também tem patas e cabeça que se movimentam, além de uma coroa giratória. A alegoria, de 15 metros, simboliza a Estácio de Sá. Ao lado do veículo, telas de LCD exibem figuras marcantes do samba, entre elas Dominguinhos do Estácio e Luiz Melodia.

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Efeitos especiais e arranjos mecânicos na primeira alegoria

A Viradouro abriu o desfile com uma apresentação marcada por efeitos especiais que impactaram o público. No primeiro carro, dois componentes — um deles com uma estrutura de metal nas costas, pesando mais de 25 kg — se transformaram em um leão. Farley Mattos e João Victor deram vida ao animal, símbolo da Estácio de Sá, escola marcante na trajetória de Mestre Ciça.

Outro número que chamou a atenção do público aconteceu sobre um palco que simulava um instrumento musical. Um apito dourado girava e se abria, compondo um dos efeitos mecânicos da alegoria.

Mestre Ciça se duplicou

Mestre Ciça decidiu não apenas participar da apresentação, mas se “duplicar” para aparecer em dois momentos distintos da passagem da escola pela Sapucaí. Após surgir como destaque na comissão de frente, atravessou novamente a Avenida para desfilar à frente da bateria, responsável por encerrar o desfile. Para conseguir cumprir o trajeto a tempo, deixou a Apoteose em uma cadeira de rodas. Depois disso, ele foi levado às pressas até uma saída do setor 12, onde subiu em uma moto para retornar o percurso.

O feito não é inédito. A cantora baiana Ivete Sangalo desfilou duas vezes no mesmo carnaval quando foi homenageada pela Acadêmicos do Grande Rio. Na ocasião, em 2017, a escola contou a história de sua vida no enredo desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo, “Ivete do Rio ao Rio”. A artista desfilou na comissão de frente e, ao chegar à dispersão, retornou de mototáxi e correndo para participar da última alegoria do desfile, que a homenageava.

Emoção na concentração

Juliana Paes e Moacyr Silva Pinto, o Mestre Ciça, de 69 anos, protagonizaram um momento emocionante na concentração da Viradouro, na noite desta segunda-feira. Frente a frente, o homenageado da noite e a rainha de bateria, amigos de longa data, trocaram palavras de afeto e se abraçaram.

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— Missão hoje é honrar esse grande homem — pontuou ela.

Érika Januza, que já foi rainha de bateria da Viradouro, também se emocionou ao falar do Metre Ciça. Ela desfila este ano na escola como destaque de uma das alegorias.

— No meu período como rainha, Mestre Ciça me dava tantas dicas. Aprendi muito com ele. Foi meu mestre mesmo. Eu não poderia faltar — contou ela.

Mas os elogios não se restringem ao homenageado da Viradouro. A atriz terá na Avenida o apoio do namorado, o cantor Arlindinho. E, segundo ela, isso faz toda a diferença.

— Ele me acalma. Estava demorando para encontrá-lo, ele está fazendo vários shows, com dois sambas no carnaval deste ano. Eu já estava perguntando onde ele estava. Que bom que chegou. Vai ser nosso primeiro carnaval juntos. Isso é muito bom — disse.

Ficha técnica:

Presidente: Hélio Nunes

Carnavalesco: Tarcísio Zanon

Intérprete: Wander Pires

Mestre-sala e porta-bandeira: Julinho e Rute

Mestre de bateria: Ciça

Rainha de bateria: Juliana Paes

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"Pra cima, Ciça"

Eu vi… a vida pulsar como fosse canção

Milhões de compassos pra eternizar

Em cada batida do meu coração

O som que reflete o seu batucar

Lá, onde o samba fez berço, do alto do morro

Um menino orgulha Ismael, Bicho Novo

Forjado nas garras do velho leão

Contam no Largo do Estácio

O destino em seu passo

Que fez, pouco a pouco, uma chama acender

Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger

Quando o apito ressoa, parece magia

Num trem caipira, no olhar da baiana

Medalha de ouro, suingue perfeito

Quem marca no peito da escola de samba

Se a vida é um enredo, desfilou outros amores

Maestro fez do couro sinfonia

Na ousadia dos seus tambores

Peça perfeita pra me completar

Feiticeiro das evocações

Atabaque mandou te chamar

Pra macumba jogar poeira

No alto, vai resistir a caixa de Moacyr

Legado do Mestre Caveira

Sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você

Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender

E, hoje, aos teus pés

Somos todos um nessa Avenida

Num furacão que nunca vai ter fim

Nossa história não encontra despedida

Se eu for morrer de amor, que seja no samba

Sou Viradouro, onde a arte o consagrou

Não esperamos a saudade pra cantar

Do mestre dos mestres, herdei o tambor

Autores: Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho E Thiago Meiners