Viradouro multiplicará Luma de Oliveira por 60 em ala da comunidade; diversidade foi pré-requisito para escolha

 

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Uma das divas mais icônicas da Sapucaí vai se multiplicar por 60 no desfile da Viradouro este ano. A escola de Niterói selecionou integrantes da própria comunidade para representar a eterna rainha de bateria Luma de Oliveira. A proposta do carnavalesco Tarcísio Zanon é criar uma ala para reverenciar a ex-modelo que, entre 1999 e 2003, esteve à frente da bateria de Mestre Ciça, homenageado no enredo da vermelho e branco.

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As selecionadas passaram por uma “peneira” em outubro para entrar no grupo. A diversidade foi um pré-requisito para participar da audição, que teve grande procura. Por isso, não serão mulheres à imagem e à semelhança de Luma — são raças, alturas e corpos de diferentes tipos, mas todas são ligadas à escola.

— Toda mulher pode ser a Luma — resume Marcio Moura, diretor artístico da Viradouro.

Um terço do grupo que desfilará na ala das Lumas da Viradouro, com diversidade, requisito levado em conta durante as audições

Guito Moreto / Agência O Globo

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De joelho, sem coleira

No desfile, o grupo irá com um modelito que “lembra muito as fantasias que a Luma usava”, explica a coreógrafa da ala, Suelen Gonçalves, fazendo mistério sobre o figurino. O que ela garante é que haverá uma referência ao desfile de 2001, no qual a então rainha se ajoelhou em sincronia com a bateria, algo que marcou aquele carnaval.

— Em uma ala com 60 mulheres, colocar o joelho no chão é, de fato, mais complicado, mas elas vão lembrar esse movimento — garante Suelen.

Outra marca deixada por Luma foi o uso, no desfile de 1998, na Tradição, de uma coleira com o nome do então marido Eike Batista. O adereço, no entanto, não vai compor o look deste ano.

Luma de Oliveira se ajoelha diante da bateria da Viradouro durante uma paradinha

Ivo Gonzalez / Agência O Globo / 26-02-2001

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Há mais de uma década afastada da Passarela do Samba, Luma até foi convidada a voltar à Avenida, mas ela recusou. Nas redes sociais, contou que não aceitou vir à frente da bateria para não dividir os holofotes com o homenageado. Ela disse que prefere “reverenciá-lo assistindo ao desfile na própria Sapucaí”.


A ex-modelo será representada pela atriz Jeniffer Setti, madrinha da escola mirim da Viradouro, que virá à frente da ala. Segundo ela, nos antigos desfiles, Luma “contagiava todo o público”.

— Não vou tentar imitá-la, vou fazer minha própria Luma. Para mim, ela é insubstituível — rende-se Jeniffer.

Luma de Oliveira reinou à frente dos ritmistas da Viradouro entre 1999 e 2003

Sérgio Borges / Agência O Globo / 12-02-2002

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Com o enredo sobre Mestre Ciça, a atriz Juliana Paes reassumiu o trono de rainha, que não era seu desde 2008. Já Erika Januza, estrela que reinou na escola nos quatro anos anteriores, será destaque do carro alegórico que representa os títulos de Ciça com a Viradouro: o último deles (2024) foi conquistado com a artista à frente da bateria.

Quem virá na “pele” de Luma se prepara para fazer um desfile à altura da ex-modelo. Ingrid Marques, de 30 anos, estará na ala ao lado da irmã, Isabelle. Na Viradouro desde 2018, onde já foi até guardiã do mestre-sala e da porta-bandeira, ela era criança quando Luma desfilava na escola de Niterói, mas diz que a ex-rainha “sempre foi glamourosa, fina e bem elegante”.

— Também tenho o sonho de ser musa — diz Ingrid, que usa o balé como inspiração para seus passos na Avenida.

Lá vem a Viradouro aí, com sua ala de Lumas de Oliveira, em desfile sobre o Mestre Ciça

Guito Moreto / Agência O Globo

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A ultramaratonista Duzza Alves, de 59 anos, que já cruzou a Sapucaí em carros alegóricos e alas coreografadas da Viradouro, lembra-se bem dos desfiles da ex-modelo:

— Acompanhei todo o trabalho da Luma porque não sou tão jovem assim. Sou fã número 1 — conta ela, uma das Lumas.

Há 12 anos na agremiação de Niterói, Gabriela Mourão, de 44, já foi passista e, depois da gravidez, migrou para os abre-alas. Agora diz que será uma “honra muito grande” representar a soberana:

— Vir no carro é maravilhoso. Mas estar no chão, toda a garra e samba no pé, e numa homenagem a esse ícone do carnaval, é muito importante, ainda mais apresentando a mulher com sua diversidade, cada uma com seu talento.

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Nesta ode à eterna rainha, há lugar também para quem tem “lugar de fala”. É o caso de Josiane Lemos, de 39 anos, que, assim como Luma, é rainha de bateria. Ela desfila na Alegria da Zona Norte, que disputa o carnaval de Niterói. E dá dicas para as companheiras de ala.

— Tem que se entregar de corpo e alma, estar sempre no foco — aconselha.

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