Violinista de Barcarena alcança liderança em orquestras nacionais
Com apenas 25 anos de idade, a barcarenense Ágatha Yasmin Nascimento dos Santos já ocupa posição de liderança em importantes formações musicais. Recentemente, a trajetória da jovem na Orquestra Jovem Sesc Pará e na Orquestra Jovem Sesc Brasil ganhou destaque em um portal nacional, reforçando o talento que nasceu no interior da Amazônia e hoje ecoa em palcos de diferentes regiões do país.
[[(standard.Article) Violinista paraense se apresenta no Festival Internacional Sesc de Música nesta quarta (28)]]
[[(standard.Article) Orquestra Jovem Vale Música recebe violinista Emmanuele Baldini em Belém neste domingo (1º)]]
Como spalla, função responsável por liderar os músicos de cordas e auxiliar na condução da orquestra, a jovem violinista vem conquistando espaço na música clássica e levando o nome de Barcarena para novos públicos.
A posição de spalla foi conquistada, após audições na Orquestra Jovem Sesc Pará e na Orquestra Jovem Sesc Brasil. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, durante o lançamento da orquestra nacional.
“Foi surpreendente. Eu estava nervosa porque sabia que seria uma posição desafiadora”, relembra.
Ser spalla exige não apenas técnica apurada, mas também liderança e segurança. A função envolve decisões musicais importantes e o papel de orientar os demais músicos, além de transmitir confiança ao grupo.
“É liderar os naipes de cordas, decidir arcadas e transmitir confiança ao grupo. Tenho aprendido muito sobre ajudar outros violinistas e ter mais coragem”, explica.
A caminhada até essa posição, no entanto, começou de forma simples, em um projeto social de igreja no município, onde teve o primeiro contato com o violino e descobriu a paixão pela música clássica.
“Eu desenvolvi uma paixão muito grande pela música clássica e pelo violino. Queria, a todo custo, ter uma oportunidade de tocar em uma orquestra sinfônica, e tudo começou quando tive acesso ao violino em um projeto social da igreja”, relembra.
DESAFIOS - Em Barcarena, o acesso a professores especializados era limitado, o que exigiu esforço extra para evoluir tecnicamente. Na época, as aulas eram ministradas por um músico que também estava em processo de formação, realidade que não diminuiu a determinação da jovem em seguir carreira.
Ao longo do caminho, outros desafios surgiram, especialmente por atuar em um ambiente ainda predominantemente masculino. “Já senti o desafio de lidar com homens profissionais e perceber que eu ainda estava atrasada nos estudos. Muitas vezes me comparava em relação à idade ou aos cargos que eles conquistavam”, afirma.
A rotina para manter a carreira também exige dedicação e sacrifícios. Para participar dos ensaios em Belém, Ágatha precisa enfrentar cerca de uma hora de viagem de lancha, além do deslocamento na capital, o que torna a jornada ainda mais desafiadora.
“Toda essa logística é cansativa e gera gastos, mas faz parte do processo”, afirma.
Grande parte da formação da violinista também foi realizada de forma online, alternativa encontrada diante da distância dos grandes centros musicais. Mesmo assim, ela conseguiu ingressar na Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA) e na Universidade do Estado do Pará (UEPA), ampliando sua qualificação profissional.
Para Ágatha, jovens da Amazônia enfrentam obstáculos adicionais para seguir carreira na música clássica. “Por estarem longe dos grandes centros, enfrentam muitas dificuldades na formação e atuação musical”, destaca.
Apesar disso, representar Barcarena em uma orquestra nacional é motivo de orgulho para a jovem. “É emocionante. Eu não sabia a dimensão de onde minha dedicação e fé em Deus me levariam”, diz.
FORMAÇÃO DE JOVENS — Além da carreira musical, Ágatha também se dedica à formação de novos talentos. Enquanto permanece em Barcarena, ela atua dando aulas de artes e participando de projetos sociais, ensinando violino para crianças e adolescentes, contribuindo para que outras histórias também comecem pela música.
Para o futuro, os planos são continuar evoluindo na carreira e conquistar uma vaga em uma orquestra profissional, seja em outro estado ou até fora do país, consolidando uma trajetória que começou de forma simples e hoje inspira jovens de toda a região.
