Violência psicológica online contra mulheres cresce no Rio e ultrapassa 3,4 mil vítimas em um ano

 

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O número de mulheres vítimas de violência psicológica em ambientes virtuais no estado do Rio cresceu em 2025. Neste último ano, 3.417 mulheres sofreram esse tipo de crime pela internet, um aumento de 20,6% em relação a 2024, segundo dados do novo Panorama da Violência contra a Mulher divulgados neste domingo, Dia Internacional da Mulher, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

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O levantamento aponta que, considerando todas as formas de violência psicológica — dentro e fora da internet — 59.743 mulheres foram vítimas no estado em 2025, o equivalente a 163 casos por dia. O número representa alta de 6,3% em relação ao ano anterior e é o maior já registrado desde o início da série histórica, em 2015.

O estudo foi lançado pelo governo do estado como ferramenta para orientar políticas públicas de proteção às mulheres. De acordo com o governador Cláudio Castro, o enfrentamento à violência de gênero tem sido tratado como prioridade na administração estadual.

Segundo ele, iniciativas como a criação da Secretaria de Estado da Mulher do Rio de Janeiro, a ampliação da Patrulha Maria da Penha e o funcionamento das Delegacias de Atendimento à Mulher fazem parte da estratégia para ampliar a rede de proteção. O governo também destaca o aplicativo Rede Mulher, que permite acionar a polícia pelo telefone, solicitar medidas protetivas e registrar ocorrências online.

Criado pela Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro, o aplicativo oferece um botão de emergência que conecta a vítima diretamente à central 190. A proposta é facilitar a denúncia e ampliar o acesso a mecanismos de proteção.

Enquanto os casos de violência psicológica cresceram, os registros de feminicídio e de tentativas desse crime tiveram queda em 2025. As tentativas diminuíram 19,6%, com 307 vítimas, e os feminicídios somaram 104 mortes, redução de 2,8% em comparação com 2024.

Mesmo com a redução, a violência contra mulheres permanece elevada no estado. No ano passado, 43.309 mulheres foram vítimas de agressões físicas, além do registro de 161 homicídios dolosos e 373 tentativas de homicídio envolvendo vítimas do sexo feminino.

Para a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz, os números mostram que as estatísticas representam situações concretas vividas pelas vítimas.

— Cada dado apresentado no panorama representa uma história que vai além das estatísticas. O estudo é uma ferramenta essencial para orientar políticas públicas baseadas em evidências e reforça a importância de denunciar — afirmou.

Crimes sexuais

O levantamento também analisou os crimes sexuais registrados no estado. Em 2025, 8.681 mulheres foram vítimas de violência sexual, média de 23 casos por dia.

Entre os indicadores, o crime de assédio sexual apresentou queda de 10,2% em relação ao ano anterior. Já os casos de importunação sexual cresceram 11,6%, totalizando 2.723 registros.

Ampliação da rede de atendimento

Segundo a Secretaria de Estado da Mulher do Rio de Janeiro, ações de prevenção e acolhimento também foram ampliadas ao longo do último ano. O projeto Ônibus Lilás realizou 4.946 atendimentos em dez municípios, enquanto os Centros Especializados de Atendimento à Mulher registraram 4.739 atendimentos.

De acordo com a secretária estadual da Mulher, Heloisa Aguiar, as políticas públicas passaram a ser estruturadas com base nos dados levantados pelo panorama.

— No último ano, consolidamos uma política integrada em todo o estado para enfrentar a violência contra mulheres e meninas, ampliando a prevenção e fortalecendo a rede de atendimento — disse.

Entre outras iniciativas, a secretaria aderiu ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e regulamentou o Observatório do Feminicídio do Estado do Rio de Janeiro, que reúne dados e análises sobre esse tipo de crime.

Se quiser, também posso adaptar esse texto para o formato mais enxuto do impresso de O Globo ou deixar com mais “pegada de abertura” (lead mais forte), que costuma ser o que editores pedem para matérias de dados.

Atendimento a mulheres vítimas de violência

Central de Atendimento à Mulher

Ligue 180, de segunda a segunda, 24 horas por dia. São passadas orientações sobre leis e direitos das mulheres, assim como informações sobre rede de atendimento. Também é feito o registro e o encaminhamento de denúncias.

Centros de atendimento

A Secretaria estadual da Mulher mapeou a rede de proteção e atendimento em 67 endereços no estado, como os Centros Integrados de Atendimento à Mulher (CIAMs). A lista com todos os locais e telefones está aqui.

Aplicativo Rede Mulher

Disponível para Android e iOS, o aplicativo permite a solicitação de ajuda à Polícia Militar. No app, também é possível cadastrar uma rede de proteção de amigos e parentes, assim como cadastrar a solicitação de medida protetiva. Pelo Rede Mulher, a vítima pode ainda acessar o serviço de registros de ocorrência.

Patrulha Maria da Penha

O programa conta com 50 equipes nos BPMs. O trabalho inclui visitas regulares às residências de vítimas com medidas protetivas, assim como o monitoramento para garantir o cumprimento das determinações judiciais.

Maria da Penha virtual

O web app gera automaticamente uma petição para medida protetiva de urgência, que é distribuída na mesma hora ao juizado competente, sendo passível de consulta pela vítima. É acessado pelo link.

Casas da Mulher Carioca

Ligadas à Secretaria de Política para Mulheres e Cuidados do município, as unidades oferecem atendimento psicossocial, orientação jurídica e assistência social na capital. Também há orientação sobre encaminhamentos para atendimento psicoterapêutico e para abrigo sigiloso para mulheres sob risco de morte.

As Casas da Mulher estão em Madureira (Rua Júlio Fragoso 47), Realengo (Rua Limites 1.260), Padre Miguel (Rua Marechal Falcão da Frota s/n), Campo Grande (Rua Mario Barbosa 137) e Coelho Neto (Avenida Pastor Martin Luther King Jr 10.055), com funcionamento de segunda a sexta, das 8h às 20h. Dúvidas podem ser sanadas pelo WhatsApp da pasta: (21)96659-3810.

Núcleo Especial de Direito da Mulher e de Vítimas da Violência (NUDEM)

Órgão da Defensoria Pública do Rio especializado na promoção e defesa dos direitos das mulheres. Funciona de segunda a sexta, das 10h às 16h, na Avenida Marechal Câmara 271 - 7º andar - Centro do Rio. Telefone: (21)2526-8700.

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