Pesquisa Ideia realizada neste mês apontou que a segurança pública é tratada pelos brasileiros como um dos principais temas da eleição presidencial e para governos estaduais neste ano, mas com nuances de acordo com o posicionamento político dos entrevistados.
Quem está na frente? Veja agregador de pesquisas eleitorais do GLOBO
Quaest: Violência é a principal preocupação dos eleitores em todas as regiões do país
Sob a mira de candidatos da esquerda à direita como um dos principais temas da campanha, a sensação de insegurança atinge a maioria dos brasileiros, indica pesquisa Ideia realizada neste mês.
Os dados, obtidos com exclusividade pelo GLOBO, apontam que a possibilidade de sofrer um assalto à mão armada preocupa 66%, ou seja, duas a cada três pessoas, que disseram ter “medo” ou “muito medo” desta hipótese.
Logo em seguida, a chance de ter o celular roubado desperta “medo” ou “muito medo” para 63,9%.
No quadro geral, 45,7% responderam que o tema será crucial na definição do voto para presidente, e 42,8% citaram a segurança como relevante para o voto em governador — os entrevistados podiam citar mais de um cargo em suas respostas.
O foco em segurança cai pela metade no caso do voto para cargos ao Legislativo, como para deputado federal e senador.
Entre os eleitores que se identificaram como “direita bolsonarista”, 63,7% responderam que a segurança pautará seu voto para presidente, percentual bastante superior aos que responderam o mesmo em relação ao voto para governador (44,6%).
No caso de eleitores mais à esquerda, a cobrança ocorre principalmente em relação aos governadores: 62,2% dos entrevistados de “esquerda não lulista” afirmaram que seus votos para o Executivo estadual priorizarão medidas para a segurança, contra 45,6% que dizem o mesmo em relação ao voto para a Presidência.
Para a diretora-executiva do instituto Ideia, Cila Schulman, os dados indicam que o eleitorado “parece atribuir a responsabilidade de forma difusa, com dúvidas sobre quem cobrar” na área de segurança.
— Além disso, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro parecem falar com públicos diferentes nesse tema.
Flávio faz um apelo de endurecimento, de radicalizar no combate ao crime, que toca mais no eleitorado masculino, e Lula vem falando muito no combate à questão do feminicídio, que dialoga mais com as mulheres — avalia Schulman.
Reação a discursos
De acordo com o levantamento, quase 60% dos entrevistados que se declaram eleitores de Flávio afirmaram que votarão para presidente pensando em medidas na área de segurança, e 46% dizem o mesmo em relação a seu voto para governador.
Ambos os percentuais são menores entre eleitores de Lula (PT), de Ronaldo Caiado (PSD), de Romeu Zema (Novo) e de Renan Santos (Missão).
À exceção deste último, os apoiadores dos outros três tendem a dizer que segurança importa mais no voto para governador do que a presidente.
— Isso pode ser uma reação do eleitor à retórica dos candidatos, mais do que um discernimento da responsabilidade de cada ente.
Como Flávio aposta em um discurso do medo da violência, seus eleitores tendem a citar mais isso como motivação para o voto — diz o cientista político João Trajano Sento-Sé.
