Vila turística na Itália enfrenta 'invasão' de 120 pavões e moradores se dividem sobre permanência das aves; vídeo
Uma pequena vila litorânea no norte da Itália tem chamado atenção nas redes sociais, neste mês de maio, por um motivo inusitado: dezenas de pavões circulando livremente entre carros, jardins e ruas residenciais. Em Punta Marina, balneário que pertence ao município de Ravenna, na região da Emília-Romanha, vídeos mostrando as aves empoleiradas sobre veículos, caminhando pelo centro e cruzando vias movimentadas têm se espalhado pela internet e provocado debate entre moradores e turistas.
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Conhecida por suas praias na costa do Mar Adriático e pelo movimento intenso no verão europeu, Punta Marina convive há anos com a presença dos pavões, mas o aumento da população das aves elevou a preocupação local. Segundo moradores, o número já chega a cerca de 120 exemplares, após um crescimento acelerado nas últimas décadas. Durante a primavera, período de acasalamento, os animais intensificam os cantos noturnos e passam a circular com mais frequência em áreas urbanas.
Entre encanto e incômodo
Para parte da população, os pavões representam um problema crescente. O aposentado Marco Manzoli, de 81 anos, descreveu os animais como uma fonte constante de transtornos. Segundo ele, à imprensa italiana, além de perturbarem o sono com os chamados noturnos, as aves atrapalham o trânsito, deixam sujeira nas ruas e ainda sobem sobre os carros, provocando arranhões na lataria. O morador teme ainda que turistas deixem de visitar a cidade, famosa por sua praia com Bandeira Azul, selo internacional de qualidade ambiental, caso a situação se agrave.
A caixa de supermercado Mara Capasso, de 57 anos, também defende a retirada dos animais da área urbana. Segundo ela, os vizinhos são acordados frequentemente pelos sons de acasalamento e a convivência se tornou motivo de divisão entre os moradores. Para Capasso, os pavões deveriam ser levados para pinhais e bosques, onde poderiam viver em seu habitat natural, longe do concreto e das residências.
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Outros, no entanto, veem as aves como parte da identidade local. O confeiteiro Claudio Ianiero, de 64 anos, afirma que os pavões vivem há muito tempo no pinhal atrás da vila, mas passaram a buscar refúgio em áreas urbanas para escapar de predadores naturais, como lobos e raposas. Segundo ele, dentro da cidade as aves encontram mais segurança e acabam se reproduzindo com facilidade. Ianiero nega relatos mais alarmistas sobre uma suposta emergência sanitária e diz que a convivência sempre existiu. Dono de uma confeitaria que vende até biscoitos em formato de pavão, ele define os animais como “algo mágico” para Punta Marina.
A prefeitura de Ravenna já tentou controlar a população das aves. Em 2022, uma tentativa de realocação fracassou após resistência de grupos de defesa animal. Em 2024, a administração lançou uma campanha para orientar moradores e turistas sobre como conviver com os pavões, incluindo a recomendação de não alimentá-los. Agora, novas propostas de adoção vindas de diferentes regiões da Itália podem abrir caminho para uma solução. Enquanto isso, moradores como Emanuele Crescentini, que se autodenomina “guarda florestal” dos pavões, defendem a coexistência. Para ele, há espaço suficiente para que homens e aves convivam de forma equilibrada, desde que haja disposição para isso.
