Vídeos falsos, manipulação e teses de conspiração se espalham em meio à crise de imigração em Ceuta - QTU Questões do Universo

Vídeos falsos, manipulação e teses de conspiração se espalham em meio à crise de imigração em Ceuta

Fonte: Bandeira da fonte

A chegada de dezenas de milhares de migrantes ao enclave espanhol de Ceuta foi acompanhada por uma onda de desinformação nas redes sociais, levando agências de checagem e veículos de imprensa a desmentir vídeos, fotografias e mensagens que circulavam como se retratassem os acontecimentos dos últimos dias.
Em um país no qual a imigração se tornou um dos temas mais polarizadores da política, a crise rapidamente passou a ser disputada também no campo da informação.
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Um dos conteúdos mais compartilhados mostrava centenas de pessoas escalando a cerca que separa Marrocos dos enclaves espanhóis no norte da África.
As imagens são reais, mas não tinham relação com a atual crise.
O vídeo havia sido gravado em março de 2022, durante uma tentativa de entrada em Melilla, e foi republicado como se mostrasse a situação em Ceuta.

Também viralizaram publicações afirmando que migrantes haviam atacado casas, incendiado igrejas e destruído prédios públicos logo após a chegada ao território espanhol.
As alegações não foram confirmadas pelas autoridades nem pela imprensa local.
Segundo as agências espanholas de checagem EFE Verifica e Newtral, as mensagens eram acompanhadas de fotografias antigas, imagens de outros países ou simplesmente não apresentavam qualquer evidência dos supostos ataques.

Outro caso envolveu um vídeo de um bebê sendo resgatado no mar por equipes de salvamento.
Nas redes sociais, usuários afirmaram que as imagens eram falsas, que a criança seria um boneco ou que a gravação teria sido produzida para sensibilizar a opinião pública.
As verificações mostraram que o resgate ocorreu de fato e que as alegações eram infundadas.

A reciclagem de imagens antigas também tem sido frequente.
Vídeos da crise migratória de maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira de Ceuta em apenas dois dias, voltaram a circular como se fossem registros da atual onda de chegadas.
Em outros casos, gravações de operações de resgate no Mediterrâneo ou nas Ilhas Canárias foram apresentadas como se tivessem ocorrido na costa de Ceuta.
Migrantes tratam de cruzar o cerca que separa Marrocos do enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em 31 de julho de 2026
AP/Antonio Sempere

Além das imagens fora de contexto, proliferaram teorias conspiratórias segundo as quais a entrada dos migrantes faria parte de um plano organizado pela União Europeia para alterar a composição demográfica do continente ou de uma operação deliberada para “invadir” a Espanha.
Nenhuma dessas alegações foi acompanhada por evidências, e tampouco foi corroborada por autoridades ou investigações independentes.