Vídeo raro mostra reencontro histórico entre Pelé e Maradona no Rio há 31 anos; revista argentina resgata jantar inédito entre os craques

 

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Nesta quarta-feira (13), completam-se 31 anos de um dos encontros mais simbólicos da história do futebol: o jantar entre Pelé e Diego Maradona no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1995. O momento, tratado como uma “reconciliação histórica” entre os dois maiores nomes do esporte, voltou a ganhar repercussão após a tradicional revista argentina El Gráfico divulgar trechos inéditos do encontro, em um vídeo exclusivo que será publicado na íntegra nesta quinta-feira.

Fundada em 1919 e considerada uma das publicações esportivas mais importantes da Argentina e da América Latina, a revista destacou o encontro na contracapa da edição 3.945, com a manchete “O Maior” e a legenda: “Sábado, 13 de maio. Pelé e Maradona se abraçam no Rio. Uma reconciliação histórica”. O reencontro também virou capa e foi tratado como um momento emblemático da relação entre os dois craques.

Nas redes sociais, a prévia publicada pela revista já ultrapassa 1 milhão de visualizações. Na legenda, o perfil escreveu: “Você não está assistindo IA nem tem Instagram premium, está assistindo isso de graça porque amanhã faz aniversário deste jantar de futebol, inédito e esquecido, entre Diego e Pelé, com amigos no Rio de Janeiro. Muito em breve a palestra completa no nosso canal do YouTube. Arquivo exclusivo de El Gráfico. 13 de maio de 1995.”

Confira:

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Um encontro em meio à suspensão de Maradona

Na época, Maradona vivia um dos momentos mais delicados de sua carreira. O argentino cumpria suspensão de 15 meses imposta pela Fifa após testar positivo para efedrina durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Foi nesse contexto que ele viajou ao Brasil para rever Pelé.

Além do reencontro simbólico, havia também uma negociação em andamento. Pelé tentava convencer o argentino a jogar no Santos FC, clube onde construiu sua trajetória lendária. Segundo a Folha de S.Paulo, o projeto previa um contrato de US$ 4 milhões por duas temporadas, financiado pela empresa Pelé Esportes & Marketing, pela patrocinadora Unicor e por uma terceira marca. A ideia era recuperar o prestígio esportivo do clube e encerrar um longo jejum de títulos.

As negociações, no entanto, fracassaram. Parte dos executivos alegou que Maradona passou a exigir valores superiores aos acordados inicialmente. Outros relatos apontaram que o interesse do Boca Juniors em repatriar seu maior ídolo foi decisivo. Em setembro daquele ano, com o fim da punição da Fifa, ele retornaria ao futebol vestindo novamente a camisa do clube argentino.

“Eu sabia que ele era um deus”

Os trechos divulgados agora mostram um ambiente descontraído, durante um jantar à base de peixe, em que os dois conversam sobre zagueiros italianos, faltas duras e as dificuldades de jogar contra europeus.

— Eu ia beber água e ele vinha atrás de mim. Se o número nove não marcasse, o número seis ia atrás dele. É por isso que, quando você toca na bola com eles, o alemão e o italiano fazem falta — contou Maradona.

Pelé concordou:

— Principalmente os uruguaios.

Diego seguiu:

— Os italianos precisam te tocar, precisam te sentir. Eles faziam isso comigo, me agarravam, e eu batia na mão deles. Eles querem te tocar e vão atrás de você.

O encontro foi destaque na última página do El Gráfico, e o abraço histórico foi a matéria de capa do artigo

Reprodução

Mas o momento mais marcante foi descrito pela própria El Gráfico ao relembrar o primeiro encontro entre os dois, ainda em 1979, quando um jovem Maradona finalmente realizou o sonho de conhecer seu maior ídolo.

Segundo a revista, Pelé deixou de lado compromissos, desceu pessoalmente para buscar presentes e passou a dar conselhos ao argentino como se falasse com um filho.

— Nunca dê ouvidos a quem diz que você é o melhor. Lembre-se sempre de que você não é. No dia em que você achar que é o melhor, você deixará de ser o melhor para sempre — aconselhou Pelé.

Também falou sobre contratos, família e disciplina:

— Seu físico é sua ferramenta de trabalho. Cuide dele. Há tempo para tudo na vida, mas faça tudo com moderação. Sempre faça o que não prejudica seu corpo.

Ao deixar o encontro, emocionado, Maradona resumiu o que havia vivido.

— Eu sabia que ele era um deus como jogador; agora ele é um deus como pessoa também. Conhecer o Pelé é como a Copa do Mundo que eu nunca tive. Nada mais, nada menos.

Três décadas depois, o vídeo resgatado pela revista argentina devolve ao público uma das cenas mais simbólicas da história do futebol: duas lendas frente a frente, trocando abraços, conselhos e memórias — e eternizando, mais uma vez, aquelas mãos unidas para sempre.