Vídeo: Libanesa de 13 anos registra fuga desesperada durante ataques de Israel na quarta, descritos como os piores desde 1982

 

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Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que uma menina de 13 anos é surpreendida por ataques israelenses em Beirute, no Líbano. Na gravação, é possível ouvir diversas explosões e a adolescente correndo com o pai para se proteger em um local coberto. A ofensiva de Israel ao Líbano na última quarta-feira matou entre 203 e 254 pessoas e deixou mais de mil feridos. O ataque fragilizou o cessar-fogo entre EUA e Irã acertado na última terça. O acordo prevê uma trégua de duas semanas e negociações para acabar com a guerra, que já vitimou milhares de pessoas no Oriente Médio e impactou a economia do mundo.

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Israel afirmou que o Líbano não está incluído na trégua alcançada entre os Estados Unidos e o Irã. A informação é reiterada pelo vice-presidente americano, JD Vance, que liderará as negociações com Teerã no Paquistão, agendadas para sexta-feira ou sábado. Mas o Irã e o Paquistão, mediador do acordo, dizem que o cessar-fogo inclui o Líbano.

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— Se o Irã quer que esta negociação fracasse por um conflito no qual está sendo travado no Líbano, que não tem nada a ver com eles e que os Estados Unidos nunca disseram que faria parte do cessar-fogo, é escolha deles — afirmou Vance.

O primeiro-ministro, israelense Benjamin Netanyahu, ordenou nesta quinta-feira negociações com o Líbano sobre o desarmamento do Hezbollah depois de afirmar que seu país continuará atacando o Hezbollah, se necessário.

"Nossa mensagem é clara: qualquer um que agir contra civis israelenses será atingido. Continuaremos atacando o Hezbollah onde for necessário, até que restauremos a segurança dos moradores do norte de Israel", a região mais exposta aos projéteis disparados pelo movimento pró-Irã, disse ele em sua conta no X.

O Gabinete do primeiro-ministro libanês anunciou que quinta-feira seria "um dia nacional de luto pelos mártires e feridos dos ataques israelenses que alvejaram centenas de civis inocentes e indefesos". Os escritórios do governo foram fechados e as bandeiras foram hasteadas a meio mastro. Horas depois, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra Israel, acusando o país de violar o cessar-fogo.

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Piores ataques desde 1982

Os ataques foram os piores que o país já viu desde a invasão das Forças de Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês) em 1982, disseram moradores a veículos de mídia libaneses. Segundo relatos no Líbano, a série de ataques israelenses que atingiu Beirute levou ao caos nas ruas e nos hospitais, resultando em vítimas e danos materiais. Ataques israelenses também foram registrados nas províncias de Tiro, Sidon e Nabatieh, no sul do Líbano, além do vale do Bekaa, no leste do país.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses na quarta-feira mataram 203 pessoas, feriram 1.078 e deixaram 33 desaparecidos sob os escombros. Segundo o serviço de Defesa Civil libanês, o número de vítimas é maior, com 254 mortos e mais de 1.100 feridos.

Os serviços de emergência afirmaram que continuam as buscas por sobreviventes presos sob os escombros nos subúrbios ao sul de Beirute, também conhecidos como Dahiyeh, e na cidade de Abbasiyeh, na província de Tiro.

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O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, apontou os ataques ao Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do Irã de enriquecer urânio como três pontos que põem em xeque o cessar-fogo, enquanto um funcionário de alto escalão americano afirmou que o plano de 10 pontos apresentado publicamente pelo Irã na quarta-feira não inclui as mesmas condições que a Casa Branca aceitou para cessar a guerra.

No Líbano, os bombardeios, que atingiram várias partes da capital, Beirute, sem aviso prévio, provocaram cenas de pânico na quarta-feira. "As pessoas começaram a correr para todos os lados", relatou Ali Younes, que esperava sua esposa perto de Corniche al-Masraa, uma das áreas atingidas. Segundo as autoridades locais, mais de 1.700 pessoas morreram no Líbano desde que Israel iniciou ataques aéreos e uma invasão terrestre no mês passado.

O secretário particular e sobrinho de Naim Qassem, líder do Hezbollah, foi morto em um dos bombardeios, anunciou o Exército israelense nesta quinta-feira. A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, advertiu que "cumprirá seu dever e responderá" caso Israel não cesse seus ataques no Líbano.

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Negociações de alto nível

Diversos países condenaram os ataques de quarta-feira no Líbano. A França os classificou como "intoleráveis", e o Reino Unido pediu que o cessar-fogo seja estendido ao Líbano. A União Europeia declarou que esses bombardeios israelenses ameaçam a trégua com o Irã. O Paquistão sediará negociações de alto nível esta semana, após a entrada em vigor do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Aguardando essas negociações, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, conversou por telefone nesta quinta-feira com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi. Este é o primeiro contato oficial entre os dois países desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.

Um ponto crucial de discórdia continua sendo o Estreito de Ormuz, por onde, em tempos de paz, passa um quinto do petróleo mundial, além de grandes quantidades de gás natural e fertilizantes.

O Irã anunciou rotas alternativas para navios que transitam pelo estreito nesta quinta-feira, alegando o risco de minas marítimas. No entanto, permanece incerto se Teerã está permitindo a passagem de navios pela via.