Vice de Nunes recomenda uso de Ypê, mesmo após alerta de Vigilância de SP e proibição da Anvisa

 

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O vice-prefeito de São Paulo, o coronel da PM Mello Araújo, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo o uso de produtos da Ypê. Ele defende que estão fazendo uma "sacanagem" com a empresa.

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Na quinta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que produtos de lotes terminados em 1 apresentam risco sanitário. A recomendação foi corroborada pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS), subordinado ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

— Aqui em casa, gente, é só produto Ype. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercado e comprar produtos Ype. Quem tem produto Ypê posta no Instagram, marca a Ypê — diz o vice de Ricardo Nunes.

A inspeção que motivou o fechamento de uma linha de produção da fábrica da Ypê em Amparo (SP) constatou, pela segunda vez, a contaminação de produtos de limpeza com micro-organismos. Fiscais que participaram do trabalho relatam ter constatado problemas de higiene e investigam a origem da contaminação da água nas instalações da empresa que produz detergentes, desinfetantes e sabão para roupa.

A fala do vice-prefeito de São Paulo segue a de outros apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que defendem há uma suposta perseguição política contra a empresa. Em 2022, a família Beira, dona da Yoê, injetou R$ 1,5 milhões na campanha do candidato do PL.

No entanto, Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), sob a administração do governo Tarcísio, manteve a orientação para que consumidores não usem produtos da Ypê mesmo após a empresa apresentar recurso que suspendeu temporariamente os efeitos da decisão da Anvisa.

A CVS-SP também participou da inspeção na última quinta-feira, junto com a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo), que resultou na sanção.

Segundo o diretor da CVS-SP, Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro do ano passado.

Naquela ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos feitos no ano passado. Esse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão, e particularmente em pacientes com fibrose cística.

— Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção — disse Lara. — De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.

Não há certeza ainda sobre como a bactéria entrou nos produtos. Segundo o CVS, em casos semelhantes ocorridos com outras empresas no passado, o rompimento em estrutura para escoamento de esgoto tinha contaminado o reservatório de água usada nos produtos. Esse problema não foi identificado ali, ainda. De todo modo, o anbiente de produção ão era adequado, afirma Lara.

— Tinha acúmulo de sujidades no ambiente, no piso, em cima de tubulações e máquinas, com poeira, o que demonstrava uma falha na questão de limpeza — disse.