Veteranos, expulsões, valor do prêmio: como o BBB 26 garantiu engajamento recorde nas redes sociais e virou 'edição de colecionador'
Restam dez moradores, mas a movimentação na casa do Big Brother Brasil 26 segue com intensidade de lotação máxima. O reality show da TV Globo, que começou no dia 12 de janeiro, entra na reta final com um dos elencos mais competitivos dos últimos tempos, o que tem mobilizado a audiência e garantido um engajamento recorde em redes sociais.
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A três semanas do fim, o programa — que elimina mais um participante na noite desta terça (31), no esquema acelerado de Modo Turbo para chegar à final com três pessoas no dia 21 de abril — bateu a marca de cem milhões de menções espontâneas nas redes. Trata-se de posts em perfis de X, Instagram, Facebook, YouTube e Bluesky. É o maior volume desde o BBB 21 (edição da campeã Juliette em plena pandemia), segundo a emissora. Algo que se reflete na audiência digital: o dia do retorno de Breno Corã e Juliano Floss do chamado Quarto Secreto para a casa foi o mais assistido da história do programa no Globoplay.
Muitos comentários nas redes têm descrito a versão deste ano como Edição de Colecionador, e o elenco está no centro da narrativa.
— Altamente competitivo, ele demonstrou disposição e empenho constantes na disputa pelo prêmio — diz Angélica Campos, diretora artística do BBB, destacando que a audiência ajudou na escolha dos nomes ao selecionar, na dinâmica das Casas de Vidro, os integrantes do grupo Pipoca que entrariam na competição.
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Confira a seguir alguns dos principais destaques deste BBB 26.
Olha eu aqui outra vez
Desde 2020, com o advento do grupo dos Camarotes (personalidades da TV ou internet já conhecidas do público), o BBB não trazia um “time” novo para o programa. Este ano, inovou resgatando participantes de edições passadas. Entraram Alberto Cowboy (BBB 7), Ana Paula Renault (BBB 16), Babu Santana (BBB 20), Jonas Sulzbach (BBB 12), Sarah Andrade (BBB 21) e Sol Vega (BBB 4).
Apesar de Ana Paula ser a única remanescente na disputa, é consenso que esta turma foi a protagonista do programa até aqui.
— Foi a grande sacada — diz o influenciador e comentarista Caio Barbosa, conhecido como “o garoto dos reality shows”. — A percepção é de que todo mundo amou. Tanto que a narrativa do programa foi dominada por eles. Não vejo motivo para não aproveitarem nos próximos anos.
Rodrigo Dourado, diretor de gênero Reality da TV Globo, diz que a entrada dos veteranos é uma resposta do programa a um desejo antigo do público e avalia o movimento como um “acerto”.
— Eles geraram conversa mesmo antes de entrarem na casa, quando começaram as especulações, e movimentaram o jogo desde o início — destaca Dourado. — Protagonizaram grandes histórias sem ofuscar Camarotes e Pipocas, que não se apagaram diante deles, partindo para o embate. Essa experiência ampliou nossas possibilidades futuras na formação de elencos mais diversos e equilibrados.
Pré-jogo quente
A escolha dos Pipocas é resultado de outra novidade: as cinco Casas de Vidro regionais (Sudeste, Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte). Cada uma tinha dois casais já selecionados pela produção do programa, ou seja, 20 pessoas no total, e foi o público que escolheu os dez anônimos que de fato entraram na disputa. Tudo isso no fim de semana antes da abertura oficial dos aposentos nos Estúdios Globo.
— Serviu como um esquenta muito bom — diz o comentarista de reality Chico Barney. — Foi uma porta de entrada diferente daquela apresentação tradicional e trouxe o público para a disputa.
E houve ainda o Quarto Branco, para onde foram levados os anônimos não selecionados nas Casas de Vidro para uma espécie de repescagem, de onde, ao final, resistiram quatro brothers.
Dois pesos, uma saída
Outra demanda antiga do pessoal do sofá era uma mudança no sistema de votação para decidir quem sai da casa. Em 2024, aconteceu a primeira alteração: o resultado de um paredão era a média entre os votos da torcida (ilimitados) e dos votos únicos, restritos ao CPF de cadastro no site da Globo.com. Desta vez, a proporção mudou a favor dos votos únicos, que passaram a valer 70% do resultado total. Na terça-feira passada (24), no paredão que eliminou Jonas, com 53,48% dos votos, houve o recorde da modalidade CPF desde o início dela: 4 milhões — e mais de 350 milhões de votos de torcida, maior número desta temporada.
Muita gente que acompanha o programa desde o BBB 1, como a influenciadora Thamirys Borsan, acha que a mudança ajuda a engajar quem curte o programa, mas antes não tinha motivação para participar.
— O voto da torcida desanima, por isso a ideia do CPF é sensacional — diz a criadora de conteúdo. —Ele traz senso de justiça, faz o público pensar “meu voto é importante”. Uma coisa bem de eleição mesmo, de democracia.
Valor do cheque
No primeiro dia de programa, público e confinados descobriram que o vencedor sai da casa este ano com um prêmio estimado em R$ 5,44 milhões. Maior da história da atração, ele turbinou a gana dos competidores. Mas Chico Barney aponta outro ponto relevante no quesito “dinheiro no bolso”.
— É o fato de ter menos premiação durante a temporada — avalia. —A sacada de dar apartamento só para os líderes que chegaram ao Top 10 aumentou a disputa interna e favoreceu a rivalidade.
Adeus antes da hora
O BBB 26 também será lembrado, pelo menos até agora, como a edição com mais saídas precoces de participantes. Só expulsões foram três — Paulo Augusto, em 30 de janeiro, por empurrar Jonas Sulzbach numa corrida para atender o Big Fone; Sol Vega, em 11 de fevereiro, por agressão a Ana Paula; e Edilson Capetinha, no dia 14 do mesmo mês, por uma briga física com Leandro. Desistências, foram duas: Henri Castelli, por problemas de saúde durante a primeira prova do líder; e depois Pedro Henrique, que apertou o botão de saída após um episódio de assédio com Jordana.
Ninguém nos Estúdios Globo ou fora dele acredita que as baixas influenciaram o ritmo da competição. A diretora artística, Angélica Campos, diz que a “dinâmica é planejada diante dessas eventualidades”. Há, inclusive, quem veja as saídas sob ângulos positivos.
— Se formos pensar nas expulsões, elas ajudaram mais do que atrapalharam, porque mantiveram o BBB na boca do povo — diz Chico Barney. — Afinal, tirar uma pessoa é sempre uma decisão polêmica. E dentro da evolução do jogo, quem saiu não fez tanta falta assim.
Tanta movimentação adiou, pelo menos neste ano, a experiência do “laboratório”. A novidade, anunciada antes da estreia, prometia trocar um participante “planta” durante o jogo a pedido do público. Não rolou.
— O BBB é orgânico, e algumas dinâmicas deixam de fazer sentido conforme a temporada evolui — diz o diretor de gênero, Rodrigo Dourado.
Na frente da TV, pouca gente se decepcionou, como atesta Caio Barbosa:
— Essas ações são necessárias quando falta pauta, mas não houve semana vazia nesse BBB.
Siga o líder
Se alguns jogadores saíram antes do previsto, poucos ocuparam o cômodo mais cobiçado da casa, o Quarto do Líder. Jonas e Alberto Cowboy foram os principais líderes da temporada, revezando-se no posto por oito vezes, com quatro semanas cada. As torcidas de Ana Paula e Milena, as principais rivais da dupla, podem não ter gostado, mas, para quem analisa o reality show, a força e a sorte da dupla veterana só trouxeram benefícios para a história.
—A liderança repetida ajudou os antagonistas a se manterem vivos — analisa Caio. — Se eles ficassem vulneráveis, o programa teria sido diferente. E as provas foram supervariadas: resistência, raciocínio, sorte... Eles conseguiram triunfar em todas! Existe uma qualidade que precisa ser reconhecida.
