Vereadores conservadores do Rio barram projeto que reconhecia Parada LGBTI+ como patrimônio cultural, social e histórico da cidade

 

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A tentativa de reconhecer oficialmente a Parada do Orgulho LGBTI+ de Copacabana como parte do patrimônio cultural, social e histórico do Rio terminou frustrada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Em uma votação apertada, o projeto foi derrotado por 16 votos a 15 e acabou arquivado, após movimentação intensa de parlamentares contrários à proposta, liderados pelo vereador Rogério Amorim (PL).

A rejeição foi construída a partir de uma articulação que reuniu vereadores de diferentes partidos, incluindo legendas de centro e direita como Podemos, Republicanos, MDB, PSD e União Brasil. Enquanto isso, a base favorável, composta principalmente por nomes alinhados à esquerda e a pautas progressistas, tentou sustentar a relevância simbólica e prática do reconhecimento, mas não conseguiu reunir votos suficientes para aprovar a medida.

O clima durante a sessão foi de forte tensão. Pessoas presentes nas galerias acompanharam a votação e se manifestaram em defesa do projeto, provocando a interrupção temporária dos trabalhos. Diante da continuidade dos protestos, especialmente durante discursos contrários à proposta, o presidente da sessão, Paulo Messina (PL), determinou a retirada dos manifestantes do plenário, com apoio da segurança da Casa.

O episódio expôs, mais uma vez, o racha ideológico dentro do Legislativo carioca. De um lado, vereadores contrários alegaram que conceder esse tipo de reconhecimento institucional poderia abrir margem para outras demandas semelhantes. Do outro, parlamentares favoráveis reforçaram que a proposta não implicava em novos gastos públicos e tinha como objetivo apenas valorizar um evento já consolidado na cidade.

Responsável pelo projeto, a vereadora Monica Benício (PSOL) lamentou o desfecho e apontou que a decisão reflete a dificuldade de avanço de pautas ligadas à diversidade na Casa. Realizada na orla de Copacabana, a Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio, considerada a primeira do país, se firmou ao longo dos anos como um dos maiores atos públicos da cidade, reunindo multidões, impulsionando o turismo e funcionando como espaço de visibilidade, celebração e reivindicação de direitos. Nos bastidores, aliados já discutem alternativas para retomar o debate e tentar garantir algum tipo de reconhecimento institucional ao evento.