Verão de contrastes: La Niña segurou calor no Sudeste enquanto Nordeste e Sul enfrentaram temperaturas extremas

 

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O verão que termina nesta quinta-feira foi marcado por um comportamento atípico em boa parte do Brasil. Ao contrário da expectativa de calor intenso, no Sudeste e em partes do Centro-Oeste houve uma estação mais amena, com menos dias de sol e temperaturas abaixo do que costuma ser registrado nesse período.

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Segundo o meteorologista Cesar Soares, da Climatempo, o principal fator por trás desse cenário foi a atuação do fenômeno La Niña.

— Esse verão não foi tão quente exatamente porque a gente tinha a presença do fenômeno climático La Ninã, que garantia a presença de mais corredores de umidade, as zonas de convergência do Atlântico Sul, se formando sobre as áreas mais centrais do Brasil e trazendo muita nebulosidade para essas áreas — explica.

Com menos incidência solar, o aquecimento perdeu força. “Menos períodos de sol significam menor elevação das temperaturas, o que explica a sensação de um verão menos quente em regiões como o Sudeste”, afirma o especialista.

Temperaturas médias de dezmbro de 2025 a fevereiro de 2026

Reprodução Inmet

Nos últimos dias da estação, no entanto, o padrão começou a mudar. A redução da nebulosidade abriu espaço para mais horas de sol e uma elevação gradual das temperaturas, indicando uma transição para condições mais típicas de calor.

Altas temperaturas no Sul do país

Se por um lado faltou calor em parte do país, por outro ele foi extremo em regiões específicas. O destaque, segundo Soares, ficou para o Sul, especialmente no oeste do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde os termômetros frequentemente se aproximavam dos 40°C.

Nessas áreas, a menor presença de umidade garantiu dias mais ensolarados e, consequentemente, temperaturas elevadas.

O interior do Nordeste também enfrentou calor intenso, impulsionado pela escassez de chuvas. Já no Sul, a ausência dos corredores de umidade contribuiu para a predominância de tempo firme, reforçando o contraste climático observado no país ao longo da estação.

O resultado foi um verão de extremos e desigualdades regionais, em que a percepção de uma estação “menos quente” conviveu com episódios de calor intenso — um retrato direto da influência de fenômenos climáticos de grande escala sobre o território.

'Verão menos chuvoso'

— O verão foi menos chuvoso quando voce olha que as anomalias positivas (em vermelho no mapa abaixo) estão bem evidenciadas em algum pontos, principalmente na Região Sul e partes da Região Centro-Oeste. Os dados apontam que houve chuva acima na média na Região Norte mas prevalecendo o tempo com pouca chuva — explica a meteorologista Andrea Ramos.

Precipitação trimestral, de dezembo de 2025 a fevereiro de 2026

Reprodução / Inmet

Ainda segundo Andrea, as execeções de tempo mais firme ficaram em Minas Gerais, Rio de Janeiro, parte de São Paulo e na porçao nordeste do Rio Grande do Sul.

— O fato de estar com chuvas abaixo da média não significa que diminuiu os extremos, porque os extremos tem uma característica que predomina na última década que favorece aquelas chuvas com volumes significativos ocorridas em poucas horas, como tivemos em Juiz de Fora e Ubá — alerta a meteorologista.

Eventos extremos do verão 2026

O verão de 2025/2026 no Brasil foi marcado também por episódios de instabilidade climática, com destaque para chuvas intensas concentradas em curtos períodos. O caso mais emblemático ocorreu durante as enchentes na Zona da Mata de Minas Gerais, em fevereiro de 2026, quando temporais persistentes provocaram alagamentos generalizados e deslizamentos de terra. Em algumas cidades, o volume de chuva ultrapassou em múltiplas vezes a média histórica para o mês, resultando em dezenas de mortes, além de milhares de desalojados.

Além dos episódios de chuva extrema, o verão também foi marcado por ondas de calor prolongadas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Em diversos momentos, os termômetros superaram os 35 °C, com picos próximos dos 40 °C, intensificando o desconforto térmico e elevando a demanda por energia elétrica. Esse cenário foi agravado pela persistência de massas de ar quente, que dificultaram a formação de chuvas regulares em algumas áreas.

Houve também a ocorrência de temporais severos e localizados, caracterizados por rajadas de vento, descargas elétricas e queda de granizo. Esses eventos causaram danos pontuais, como destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e transtornos no transporte urbano, sobretudo em grandes centros do Sudeste e do Centro-Oeste.