Ventania arranca telhado inteiro de casa na Zona Norte do Rio: 'Levantou tudo, foi um desespero', diz moradora

 

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Uma família ficou desabrigada depois que os ventos fortes do temporal que atingiu a cidade nesta quinta-feira arrancaram o telhado inteiro da casa, em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio. O incidente aconteceu por volta das 17h30, quando o filho e o neto de Márcia Soares, de 53 anos, estavam no imóvel. Ninguém ficou ferido.

— Foi muita chuva e um vento muito forte. Eu estava na UPA fazendo um exame. Meu filho me ligou avisando que o telhado tinha sido levado. Fiquei nervosa, deixei tudo para trás. Foi um desespero, levantou tudo, fiação, estrutura de madeira, tudo. Quando cheguei, já não tinha mais telhado, foi parar cinco casas depois da minha. Graças a Deus não machucou ninguém e nem danificou a casa da vizinha — relata Márcia.

Imóvel sem telhado em Marechal Hermes após temporal desta quinta-feira

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A telha era em estilo colonial em PCV, imitando o modelo de cerâmica, mas mais leve. Além das telhas, a ventania levou a estrutura em caibro e toda a fiação elétrica do imóvel. A tempestade provocou alagamentos na região. Sem a proteção do teto, a água chegou à altura do joelho na casa. Márcia colocou placas de isopor por cima de uma cômoda pra não cair mais água nas roupas e, sobre a máquina de lavar, um saco preto. Pelo chão da casa, muitos objetos espalhados em meio à lama. Sem luz ou água e com os pertences encharcados, a família precisou ser abrigada por um vizinho.

— A casa não tem muita estrutura, então não podia botar muito peso, tinha que ser essa telha mais leve. O vizinho foi um anjo que apareceu e cedeu um espaço pra gente ficar. Eu não sei como vai ser mais tarde, estou com medo de chover de novo. Eu quero muito cobrir isso aqui. É simples, mas é a nossa casa, nosso cantinho — conta a moradora, que mora com o filho, a nora e o neto de 3 anos, além do pet deles, uma cachorrinha recém-operada.

Antes do caos provocado pelas chuvas, a família já enfrentava o luto da morte do pai, marido de Márcia, há cerca de um mês. Motorista de aplicativo, ele sofreu um mau súbito enquanto dirigia. Ele era diabéticos e perdeu a consciência no volante. O carro atravessou a pista e parou no canteiro de uma via do bairro, momento em que frentistas de um posto de gasolina foram ajudar. Ele chegou a ficar internado por dez dias, mas não resistiu.

— A gente tem que arrumar força pra continuar. Eu e ele éramos motoristas da Uber desde 2018. Comunicamos a empresa, mas deram nenhum suporte. Dizem que a Uber paga seguro de vida. Que seguro é esse? A gente deu entrada e a Uber bloqueou a conta dele. Agora é esperar o INSS, talvez eu consiga alguma pensão. Nós vamos tentar com ajuda, com Deus, reerguer isso aqui de novo. É pouco, mas é tudo que eu tenho — afirma Márcia.

Um balanço do Centro de Operações e Resiliência (COR), da prefeitura do Rio, calcula pelo menos 31 quedas de árvore nas zonas Norte, Sul e Oeste, além da região central, oito delas sobre a fiação, causadas pelo temporal desta quinta-feira. A partir da tarde desta Sexta-Feira da Paixão, a previsão é de pancadas isoladas de chuva, acompanhadas de raios.