Venha o Teu Reino: a importância de trabalhar para uma parceria divino-humana
A expressão “Venha o Teu Reino” ecoa na célebre oração ensinada por Jesus, conhecida como Pai Nosso. Há nela um clamor que atravessa séculos — e que continua atual.
É difícil acreditar que o mundo, a sociedade e até mesmo nossas relações mais próximas irão melhorar de forma espontânea ou apenas pela ação humana. A história mostra avanços, sim, mas também revela que repetimos injustiças, abusos de poder, exploração e infâmias morais com impressionante constância.
Em certo momento, ao ser provocado sobre questões políticas e tributárias, Jesus toma uma moeda com a imagem de César e pergunta: “De quem é esta imagem?”. Ao responderem “de César”, Ele conclui: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Ali está implícita uma distinção profunda: há o reino dos homens — com suas estruturas, interesses e disputas — e há o Reino de Deus — que não se limita a sistemas políticos ou fronteiras geográficas.
Quando Jesus ensina a orar “Venha o Teu Reino”, Ele não está incentivando fuga da realidade, mas reconhecendo algo essencial: a humanidade, sozinha, não consegue curar integralmente as mazelas por nós mesmos criadas.
“Venha o Teu Reino” é reconhecer que há dimensões da vida que só serão compreendidas e saneadas sob a influência de uma ética que se origine em valores do alto, a partir de um governo capaz de impactar e governar o coração humano.
“Venha o Teu Reino” é expressar a confissão de que justiça, misericórdia, verdade e amor são as colunas sobre as quais o mundo desejado por todos deve estar estruturado e que esses valores não podem conviver com cinismo, inverdade e cobiça.
“ Venha o Teu Reino” é manifestar em alto e bom som a crença numa intervenção que reorganize prioridades, realinhe afetos, reeduque consciências. É clamar por uma ética que tenha sua nescente em cada coração.
“Venha o Teu Reino”, há de haver esse clamor em todo lar que aspira por unidade, compreensão e pacífico convívio. Em todo casal que nutre inegociavelmente perdão, contrapondo-se ao ressentimento, nas ruas cotidianas que testemunham o vai e vem dos corações cheios de esperança por uma cidade justa, segura e solidária.
Não se trata apenas de esperar uma intervenção divina futura, mas de compreender que precisamos trabalhar para uma parceria divino-humana.
Talvez “Venha o Teu Reino” seja menos um grito de fuga e mais um pedido de transformação — em mim, em você, em nós.
