Venezuela está de braços 'abertos' para 'quem quiser voltar' sob anistia, diz presidente
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse nessa segunda-feira (23) que o país está de braços "abertos" para receber quem "quiser voltar" sob uma histórica lei de anistia promulgada na última quinta-feira, que abrange momentos-chave dos 27 anos de chavismo.
Delcy assumiu o poder interinamente após a deposição forçada e subsequente captura do então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, durante invasão militar norte-americana ao país sul-americano.
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A mandatária promove uma agenda que inclui libertações de presos políticos, reformas legislativas e uma recém-promulgada anistia geral que representa um passo rumo a "uma Venezuela mais democrática", segundo a própria Delcy Rodríguez.
"As portas da Venezuela, os braços do povo da Venezuela estão abertos para quem quiser retornar neste processo de cura do ódio", disse ela em um discurso televisionado.
Cerca de sete milhões de venezuelanos fugiram de seu país nos últimos anos por causa da crise política e econômica, entre eles muitos dirigentes opositores que vivem no exílio.
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A lei de anistia não é automática. Especialistas em direitos humanos a classificam de excludente e insuficiente. Centenas de detidos, como militares acusados de atividades "terroristas", podem ficar de fora.
Delcy agradeceu as "manifestações genuínas de apoio" à lei de anistia, mas acusou "alguns setores" de não estarem "fazendo a leitura correta do que está ocorrendo no país".
"Eles já têm planos e, no devido momento, vou revelá-los ao país para que se saiba quem, de um hotel luxuoso nos Estados Unidos ou na Europa, pretende sabotar este processo, pretende atrapalhar o caminho da tranquilidade e da paz na Venezuela", disse a mandatária em seu pronunciamento.
Delcy governa sob forte pressão dos Estados Unidos, que afirmam estarem no comando do país e da comercialização do petróleo venezuelano.
Na semana passada, ela se reuniu em Caracas com o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), um encontro que também contou com a presença dos ministros da Defesa e do Interior, Vladimir Padrino e Diosdado Cabello, respectivamente.
"Tive que me sentar ao lado dos carrascos de nossos heróis e heroínas de 3 de janeiro. E o fiz pela Venezuela", disse a presidente encarregada nesta segunda.
A Venezuela pede a libertação "imediata" de Maduro e de sua esposa Cilia Flores, ambos presos em Nova York onde enfrentam um julgamento por narcotráfico. O agora ex-governante se declara um "prisioneiro de guerra".
