Venda frustrada, vaias a Textor e goleada: os altos e baixos vividos pelo Botafogo até a vitória contra o Cruzeiro
Veio em ótimo momento a goleada do Botafogo por 4 a 0 sobre o Cruzeiro ontem, no Nilton Santos, pela estreia do Campeonato Brasileiro. Em meio ao caos dos bastidores da SAF comandada por John Textor, presente no Nilton Santos, os jogadores deram uma demonstração de que têm conseguido se blindar da crise fora das quatro linhas, em uma exibição que dá indícios promissores ao trabalho do técnico Martín Anselmi. Com o resultado, a equipe, que enfrentará o Fluminense no domingo pelo estadual, fechou a primeira rodada na liderança do Brasileirão.
Por ironia do destino, ao mesmo tempo que o placar ameniza o ambiente, também deixa Textor ainda mais exposto. Danilo, autor de dois gols, e Montoro foram os destaques da partida. Justamente os dois jogadores que o empresário americano tentava negociar com o Nottingham Forest-ING, em uma notícia que veio à tona pouco antes de a bola rolar e surpreendeu os torcedores alvinegros.
Venda frustrada
O empresário americano tinha negociações avançadas com Evangelos Marinakis, dono do clube inglês, para vender a dupla por 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 216 milhões), numa transação que deixaria apenas 8 milhões de euros (cerca de R$ 49,5 milhões) aos cofres do Botafogo. Os planos de Textor, porém, foram frustrados por uma decisão da Justiça do Rio, que proibiu a SAF de vender ou negociar qualquer ativo, inclusive jogadores, sem a autorização do clube associativo perante a Justiça, que atendeu a um pedido da ala social.
O desembargador Marcelo Almeida de Moraes Marinho alegou “descumprimento frontal da decisão desta Câmara” como justificativa. Ele se referia à determinação do último mês de novembro, na qual Textor só poderia vender ativos se comunicasse ao juízo e ao clube social. Desde então, jogadores como Marlon Freitas, Savarino e David Ricardo foram negociados com Palmeiras, Fluminense e Dínamo de Moscou-RUS, respectivamente, sem que o associativo fosse informado.
Pela primeira vez no ano em uma partida do Botafogo, Textor voltou ao Brasil com o objetivo de manter a força no comando da SAF — após ser afastado da Eagle pela Ares na justiça britânica — e recuperar o prestígio com a torcida. Mas o plano não saiu como gostaria. O dirigente foi vaiado pelos alvinegros ao aparecer no telão e ouviu “John Textor, preste atenção. Mais respeito com a camisa do Fogão” das arquibancadas. Sentado em um dos camarotes, chegou a ser flagrado sozinho, mas recebeu algumas visitas, como a do presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães, com quem tem vivido divergências.
CEO demitido
Outra peça importante com quem o americano tem acumulado rusgas é o CEO da SAF, Thairo Arruda, que tem discordado e tentado impedir os últimos movimentos internos de Textor. A dissonância levou a um racha nesta semana e deixa Textor cada vez mais isolado na SAF. Na terça-feira, ele tentou demitir Thairo, pela recusa do CEO em assinar o contrato que firmaria a entrada do empréstimo de US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 267 milhões) desejado pelo americano para derrubar o transfer ban que impede o Botafogo de registrar jogadores. Thairo é contra os termos do contrato, que prevê juros muito acima do mercado e estabelece a venda de jogadores como garantia.
O que o americano não contava é que a demissão não pôde ser confirmada por conta da mesma liminar da Justiça do Rio de Janeiro que o mantém no comando do futebol do clube, já que a decisão impede mudanças na gestão administrativa da SAF.
Da tribuna, Textor viu o Botafogo de Anselmi ser dominante durante a maior parte do jogo, com exceção da reta final do primeiro tempo, quando o Cruzeiro conseguiu ameaçar. Na segunda etapa, comemorou efusivamente quando o time abriu o placar com Danilo, em bela jogada de Montoro e Arthur Cabral, e viu a equipe deslanchar na reta final, com gols de Matheus Martins, Danilo novamente e Artur. Após o apito final, desceu ao campo para cumprimentar os jogadores, mas não escapou de novas vaias da torcida.
Promessa de pagamento do próprio bolso
Após a partida, o Botafogo publicou uma extensa entrevista dada por John Textor a TV do clube. Nela, o empresário americano detalhou alguns temas recentes, como a negociação com o Nottingham Forest por Danilo e Montoro, e afirmou que bancará do próprio bolso os US$ 30 milhões (R$ 155 milhões) que a SAF deve ao Atlanta United-EUA e que mantém o transfer ban da Fifa.
— Minha intenção era ter todas as aprovações internas agora. Eu queria anunciar que tínhamos terminado isso antes do jogo. Porque as coisas estão demorando com a Ares, eu disse ao clube associativo que vou fazer um investimento pessoal no valor que precisamos pagar ao Atlanta United para quitar o transfer ban. Estava esperando anunciar isso antes da partida de hoje. Acredito que teremos resolvido isso com o clube associativo porque preciso da aprovação deles. Acho que vou resolver isso antes da partida ou um dia, ou dois dias. Eu vou bancar pessoalmente o pagamento ao Atlanta United para encerrar o transfer ban. Isso nos permite acrescentar jogadores que gostaríamos para a equipe — afirmou.
