Venda da Warner para a Netflix pode reduzir filmes nos cinemas? É o que autoridades dos EUA investigam
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos convocou algumas das maiores redes de cinema do país para conversas privadas sobre o impacto potencial de uma venda da Warner Bros. Discovery Inc., segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Advogados do governo estão buscando informações sobre como uma venda afetaria o público que vai ao cinema e se poderia resultar no lançamento de menos filmes nas salas, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas ao discutir reuniões confidenciais. Um representante do Departamento de Justiça se recusou a comentar.
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Embora o principal foco do Departamento de Justiça provavelmente seja o domínio da Netflix no mercado de streaming, o lançamento de filmes da Warner Bros. nos cinemas tornou-se motivo de preocupação para muitos em Hollywood. Historicamente, a Netflix exibe apenas um número limitado de filmes em salas selecionadas, por curtos períodos.
A Warner Bros. concordou em vender seu estúdio e o negócio de streaming da HBO Max para a Netflix Inc., embora, no início desta semana, a empresa tenha dito que retomaria as negociações sobre uma possível aquisição pela Paramount Skydance Corp. A Paramount argumenta que sua oferta é superior à da Netflix e representa um resultado melhor para os consumidores.
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Em novembro, o cineasta James Cameron, que dirigiu Titanic para a Paramount, apoiou publicamente a aquisição da Warner Bros. pela empresa e disse que uma venda para a Netflix seria – um desastre – para a indústria cinematográfica. O diretor-presidente da Paramount, David Ellison, afirmou que uma aquisição da Warner Bros. pela Netflix – não avançaria a concorrência, mas sim a extinguiria –, em uma carta de 11 de fevereiro ao senador norte-americano Cory Booker.
Sede da Netflix em Los Angeles
Bloomberg
O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, tentou conter as preocupações sobre a estratégia da empresa prometendo exibir os filmes da Warner Bros. exclusivamente nos cinemas por 45 dias. Ele também criticou uma aquisição da Warner Bros. pela Paramount, dizendo que uma empresa altamente endividada não conseguiria gastar tanto na produção de filmes.
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Sarandos se reuniu com alguns CEOs de redes de cinema em Los Angeles na semana passada, na tentativa de lidar com a possível oposição ao acordo, disseram as pessoas.
A Cinema United, entidade que representa redes de cinema nos EUA, incluindo AMC Entertainment Holdings Inc. e Regal Cineworld Group, afirmou que uma aquisição da Warner Bros. pela Netflix seria – culturalmente catastrófica – e que um acordo com a Paramount seria – não menos grave. Mas, com uma venda para qualquer uma das duas aparentemente inevitável, muitos executivos do setor agora acreditam que precisam escolher um lado.
Paramount Studios em Los Angeles
Bloomberg
Em uma ligação privada realizada recentemente pela Global Cinema Federation, um grupo internacional que reúne as 12 maiores redes de cinema e associações do mundo, alguns CEOs defenderam a aquisição da Warner Bros. pela Paramount, disseram as pessoas.
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O motivo foi a relação centenária da Paramount com os cinemas e o compromisso público do CEO Ellison de lançar, em caso de aquisição, um total de 30 filmes por ano nos cinemas, somando produções da Paramount e da Warner Bros., segundo as pessoas. Ainda em abril do ano passado, Sarandos, da Netflix, disse que o modelo de salas de cinema era – um conceito ultrapassado.
Sean Gamble, CEO da rede Cinemark Holdings Inc., disse em uma teleconferência com investidores na quarta-feira que ainda está – um pouco apreensivo – em relação ao compromisso da Netflix com a janela de 45 dias para exibição dos filmes nos cinemas.
– Acho que todos nós buscamos garantias muito mais firmes e duradouras, não apenas sobre a janela, mas também sobre os níveis de investimento contínuo e de marketing sustentado, que é um componente crítico disso tudo, em comparação com simples comentários e promessas verbais – afirmou Gamble.
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