De um lado, a social-democracia de um dos maiores líderes da história da América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com diversas conquistas sociais e uma revolução nas políticas públicas. Do outro, a dinastia do bolsonarismo, liderada pelo inelegível ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.
O filho, o primogênito, Flávio Bolsonaro, é o nome da vez – família marcada por produtividade zero, o famoso “mamar nas tetas”, alianças com milícias e inúmeros casos de corrupção. Sobre os currículos, há uma assimetria bastante discrepante, mas que se mostrou surpreendente nas urnas.
Flávio venceu o primeiro turno por uma diferença pequena, um pouco acima de 2%. O que se mostrou como atenuante: uma vitória bolsonarista diante de tantos casos de corrupção e envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro.
As contradições fazem parte desse tempero chamado política brasileira. A guerra cultural e as big techs são instrumentos do projeto de mentiras e fake news, angariado pela grande burguesia do país.
O mercado financeiro opera um projeto orquestrado por um espantalho chamado Flávio Bolsonaro, com a premissa de um projeto mais liberal, ultraentreguista. O presidente Lula atua como um guerreiro resistente, com resiliência, contra um império econômico e uma sociedade combalida pela formação promíscua da indústria cultural, que massifica um projeto de mentiras, ao estilo “Marvel”, com mocinhos e bandidos.
É nesse jogo de “lavagem cerebral” que o bolsonarismo se construiu: colonialismo cultural, hegemonia política capitalista, financiada pelo Tio Sam, pela Meta. Diante de um mundo de lutas, as democracias burguesas, disfarçadas de justiça e legalidade, são aparelhadas pela burguesia, no Judiciário, na indústria cultural das redes sociais e no controle da mídia.
Sob uma cortina de fumaça, mas cheia de retalhos, há uma agenda econômica de destruição e genocídio social. Diante de uma cartilha liberal, o sangue de trabalhadores, o fim de direitos trabalhistas e humanos, o entreguismo.
A fala palatável do gasto público, massificada pela mesma burguesia em tom suave, mas com princípio claro: destruição, concentração de renda, hiperinflação, o rentismo construindo seus impérios. A família Bolsonaro já traçou esse plano, com apoio do mercado financeiro e das oligarquias do país.
Daniella Marques, principal agente do bolsonarismo na economia, já colocou em panos quentes o projeto de extermínio da soberania nacional, colocando em pauta privatizações como as da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. O que serve como ferramenta de análise são as consequências desse suposto projeto econômico: recessão na cadeia produtiva do agronegócio, com o fim do controle do Estado sobre a taxa de juros e a falência de diversos setores de produção agrícola no Brasil.
Como a ponta de um iceberg, surgem o medo do “comunismo”, os banheiros trans e Deus instrumentalizado como mecanismo de voto pela extrema direita, no controle e na formação do pensamento. É no modus operandi do pão e circo que a extrema direita se institucionaliza como projeto ideológico: construir pânico moral em factoides.
Lutar pela sobrevivência virou pauta do planeta: lutar contra os fascistas, contra os tecnocratas, contra a elite burguesa, contra os colonizadores. Não são meros modismos, é a sobrevivência literal das minorias, de um povo, de uma nação inteira.
Brasil 247