Produção feita por um coletivo palestino-israelense passou cinco anos registrando a destruição de Masafer Yatta, na Cisjordânia O Mubi recebe Sem Chão (No Other Land, 2024), o documentário que venceu o Oscar de melhor longa documental na cerimônia de 2025 e chega à plataforma após um percurso que atravessou festivais, prêmios e controvérsias.
Dirigido por um coletivo de quatro cineastas — dois palestinos, Basel Adra e Hamdan Ballal, e dois israelenses, Yuval Abraham e Rachel Szor —, o filme acompanha cinco anos de resistência de Masafer Yatta, conjunto de cerca de 20 vilarejos palestinos no sul da Cisjordânia, diante das demolições e expulsões promovidas pelo Exército israelense.
Adra, ativista nascido na comunidade, começa a filmar ainda adolescente, com câmeras rudimentares, o desaparecimento gradual de seu território. “Comecei a filmar quando começamos a desaparecer”, diz a narração de abertura.
Na trajetória, ele constrói uma aliança improvável com Abraham, jornalista israelense que cobre a região. Os dois percorrem os vilarejos entre demolições, audiências e noites de tensão, em um registro feito ao longo de anos e finalizado pouco antes de outubro de 2023.
O material deve atrair o público de documentários de observação política e de cinema engajado. O projeto nasceu como uma produção palestino-norueguesa, com coprodução de Fabien Grinberg e Bard Kjege Ronning, e é uma estreia na direção para parte do coletivo: Abraham, jornalista investigativo baseado em Jerusalém, e Szor, diretora de fotografia e montadora.
Segundo a Revista de Cinema, a divisão de funções foi coletiva — direção, roteiro, fotografia, montagem e produção assinados pelos quatro. Antes de qualquer prêmio, o filme enfrentou um obstáculo de circulação: seu conteúdo político afastou distribuidoras, e o documentário chegou aos cinemas norte-americanos por meio de exibição independente, sem o respaldo de um grande distribuidor, relatou o The New York Times.
A primeira consagração veio no Festival de Berlim de 2024, onde teve estreia mundial na mostra Panorama e levou dois prêmios: o Berlinale Documentary Award e o Panorama Audience Award de melhor documentário, conforme o site oficial do festival. A trajetória se completou no Oscar 2025, com a estatueta de melhor documentário — na cerimônia, os diretores fizeram um discurso que pediu o fim do que descreveram como limpeza étnica do povo palestino.
A recepção crítica acompanhou o percurso. No Rotten Tomatoes, o filme soma 100% de aprovação em 105 resenhas, com média de 8,9/10.
No Metacritic, a nota dos críticos é 93, com “aclamação universal” — 24 avaliações, todas positivas. Para o RogerEbert.com, o filme é “um retrato de crueldade implacável, mas também da resiliência dessa comunidade sitiada”.
Para o The Hollywood Reporter, trata-se de “um retrato devastador”. Segundo o Guardian, Sem Chão carrega um “documentário de raiva e dor” que registra a relação notável entre um israelense e um palestino.
O filme interessa a três públicos: o espectador de cinema documental de observação direta, quem acompanha a cobertura do conflito israelo-palestino e o público de festivais que busca títulos premiados fora do circuito comercial. O documentário tem 95 minutos e está disponível no catálogo do Mubi a partir de hoje.
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