A 30e, coprodutora de festivais de música como MITA e responsável por trazer ao Brasil turnês de artistas como Lana Del Rey e Slipknot, está fechando a compra de imóvel de 124 mil metros quadrados na Zona Sul de São Paulo para erguer um novo complexo de entretenimento, apurou a coluna.
O imóvel em questão é a sede da multinacional farmacêutica Bayer no bairro de Vila Socorro, às margens do Rio Pinheiros. A coluna entrou em contato com a 30e e a Bayer na manhã desta terça-feira, mas as companhias ainda não comentaram o assunto.
O texto será atualizado assim que elas se manifestarem. A transação acontece poucos meses depois de a 30e — que, no ano passado, foi uma das dez maiores vendedoras de ingressos para espetáculos no mundo — fechar contrato com o Itaú Unibanco para a realização de pelo menos 800 shows ao longo de cinco anos, sob a bandeira da marca Itaú Live.
Entre os shows já programados pela “plataforma” estão a turnê natalina de Mariah Carey, em novembro, e a apresentação conjunta de System of a Down e Faith No More. Com a aquisição, a 30e vai absorver um imóvel histórico para a Bayer no Brasil.
A gigante alemã mantém suas sedes administrativa, técnica e operacional no bairro paulistano de Socorro desde 1973. Dividido em mais de 30 edifícios e abrangendo área equivalente à de 15 campos de futebol, o terreno também abriga os times das divisões Farmacêutica e de “Consumer Health” da Bayer no país.
A farmacêutica sela a venda da sede poucas semanas depois do anúncio de que fechou contrato para alugar seis andares no Alto das Nações, prédio que está sendo finalizado na Avenida Chucri Zaidan e que, graças aos seus 219 metros, é o edifício mais alto de São Paulo. A 30e, por sua vez, está adquirindo 100% do imóvel de Socorro com o plano de desenvolver no local o que chama de complexo de entretenimento ao vivo.
Atualmente, a produtora não conta com espaço próprio para shows, dependendo de contratos com operadoras de venues como Espaço Unimed, Nubank Parque e Farmasi Arena (RJ). A transação acontece em momento agitado para o segmento de espaços de entretenimento, com a gigante americana Live Nation — dona da Ticketmaster e sócia majoritária do Rock in Rio —, por exemplo, verticalizando e consolidando esse mercado.
A companhia está comprando a carioca Farmasi Arena das mãos da francesa GL Events, ao mesmo tempo em que prepara a construção de uma arena de R$ 1,5 bilhão em São Paulo. Planejado para a área da Cidade Center Norte, esse espaço, aliás, deve ser a maior arena coberta da América do Sul, com capacidade para 21 mil pessoas.
A inauguração está prevista para 2028. A companhia também demonstrou interesse em participar de eventual desenvolvimento de uma arena de shows em área de 54 mil metros quadrados no bairro paulistano de Pinheiros.
Fundada pouco antes da pandemia por Pepeu Correa e outros sócios, a 30e chegou a ser sondada pela própria Live Nation para potencial aquisição de uma fatia no negócio. Segundo notícias da imprensa, a análise para um investimento minoritário da americana na 30e se deu no começo deste ano e foi assessorada pela EB Capital, mas acabou não se concretizando.
Mesmo sem a transação, a brasileira não parece enfrentar problemas para se financiar graças a um fluxo de caixa robusto e a sócios estratégicos. A companhia de Correa se tornou a maior empresa brasileira de entretenimento ao vivo do país e chegou à 10ª colocação no ranking mundial da Pollstar em vendas de ingressos, somando R$ 1,4 bilhão entre 2022 e 2024.
Quando começou a operar, a companhia levantou aporte de R$ 150 milhões junto à gestora Artesanal e, em 2024, captou R$ 120 milhões por meio de fundos de casas como a HSI. A busca por espaços próprios se dá no momento em que o setor de shows tem conseguido sustentar o fôlego iniciado no pós-pandemia.
Apenas no primeiro semestre do ano, os eventos de cultura e entretenimento movimentaram R$ 76,9 bilhões no país, alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O dado é da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape).
O Globo