Veja quais problemas a Artemis II enfrentou após o lançamento da espaçonave Orion
Quatro astronautas da missão Artemis II partiram, na quarta-feira, a bordo de um enorme foguete da Nasa em uma viagem que os levará ao redor da Lua, o primeiro sobrevoo lunar tripulado em mais de 50 anos. No entanto, pouco tempo após o lançamento, equipes identificaram uma série de problemas a serem resolvidos na espaçonave Orion.
Missão histórica da Nasa: Após 53 anos, Artemis II marca retorno humano na órbita da Lua e testa futuro da corrida espacial
Artemis II: missão decola em direção à Lua; animação interativa mostra como será o sobrevoo
Após a decolagem, um problema foi identificado “no controlador do vaso sanitário quando foi colocado em funcionamento”, segundo o administrador associado da Nasa, Amit Kshatriya, em uma coletiva de imprensa. A falha foi sinalizada por uma luz de alerta piscando no sistema.
O contratempo mobilizou rapidamente as equipes em terra, já que a cápsula Orion conta com apenas um banheiro a bordo. Apesar da agenda intensa desde a decolagem, os astronautas realizaram testes para investigar a falha com o apoio do controle da missão.
A astronauta da Nasa Christina Koch conduziu os procedimentos, que apresentaram resultados positivos. Com isso, o sistema foi restabelecido, garantindo o funcionamento do sanitário, um alívio para a tripulação em uma missão prevista para durar cerca de dez dias.
Nasa lança missão Artemis II, que fará primeiro sobrevoo tripulado da Lua em 53 anos
Este é o primeiro voo ao espaço profundo com um banheiro instalado. Nas missões Apollo, nas décadas de 1960 e 1970, os astronautas utilizavam sacos de coleta de resíduos durante a viagem até a Lua, que eram descartados na superfície lunar.
Pouco antes do período de descanso, Koch voltou a consultar o centro de controle em Houston para confirmar se o uso do banheiro estava liberado ao longo da noite. A resposta foi direta: “Vocês podem usar o banheiro a noite toda”, informou a equipe em terra.
Em ambiente de microgravidade, o uso do banheiro exige cuidados específicos. A cápsula conta com barras de apoio e suportes para os pés que ajudam a manter os astronautas estáveis, além de um sistema com fluxo de ar que direciona os resíduos para compartimentos separados e reduz odores. O sistema é descrito como bastante barulhento, exigindo o uso de proteção auditiva durante o uso.
Uniformes espaciais: Por que os astronautas da Artemis II usarão trajes laranja? Saiba a história da cor
O diretor da Nasa, Jared Isaacman, também relatou um problema temporário de comunicação com a espaçonave, que já foi solucionado.
Além disso, os astronautas enfrentaram dificuldades técnicas em sistemas internos. Um dos dispositivos de computação pessoal usados pela tripulação apresentou falhas, incluindo problemas no funcionamento do cliente de e-mail Outlook, o que exigiu suporte do controle da missão.
Os contratempos não se limitaram ao período após a decolagem. Na última hora antes do lançamento, a Nasa também precisou lidar com alguns problemas, entre eles, um no sistema de aborto de lançamento, mecanismo responsável por ejetar a tripulação em caso de falha. A contagem regressiva chegou a ser pausada a 10 minutos do lançamento, enquanto engenheiros trabalhavam para resolver a questão, o que foi feito a tempo.
Artemis II: O que você precisa saber sobre o lançamento da missão ao redor da Lua
Missão histórica
Artemis II: NASA lança foguete rumo à Lua em missão tripulada
JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Chamas intensas marcaram a decolagem, acompanhadas por um estrondo potente enquanto o foguete ganhava o céu, deixando um rastro de fumaça para trás. No local, um público de cerca de 400 mil pessoas reagiu com aplausos e comemorações à medida que a nave subia rapidamente.
— Temos um belo nascer da Lua. Estamos indo direto em sua direção — disse o comandante da missão, Reid Wiseman.
Initial plugin text
A tripulação representa um marco inédito na exploração espacial: pela primeira vez, um homem negro, uma mulher e um não americano participam de uma missão tripulada à órbita da Lua. A bordo estão Wiseman, os americanos Victor Glover e Christina Koch, e o canadense Jeremy Hansen.
O voo também marca a estreia tripulada do SLS (Space Launch System), peça central da estratégia dos Estados Unidos para retomar a exploração lunar. O objetivo de longo prazo é estabelecer uma base permanente na Lua, que sirva como ponto de partida para missões mais distantes, incluindo Marte.
Reid Wiseman: Comandante da Artemis II diz que preparou filhas para possível morte antes de viagem à Lua
Desta vez, os astronautas não vão pousar no satélite natural, mas a viagem é considerada uma etapa essencial de preparação para futuras missões que pretendem levar humanos novamente à superfície lunar.
Se tiver sucesso, a Artemis II pode não apenas reaproximar o programa espacial americano do feito que mais lhe deu notoriedade, como também reforçar a disputa com a China, que planeja um pouso tripulado na Lua até 2030. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado pela aceleração do programa americano e defende a meta de levar astronautas à superfície lunar antes do fim de seu segundo mandato, em 2029.
Veja as imagens do ano da Nasa
A previsão de um pouso já em 2028, no entanto, gera ceticismo entre especialistas, em parte por depender de avanços tecnológicos ainda em desenvolvimento no setor privado.
A Artemis II deve repetir, em linhas gerais, o trajeto da missão Apollo 8, de 1968, realizando um sobrevoo da Lua e retornando à Terra em uma trajetória de “retorno livre”, auxiliada pela gravidade lunar.
Artemis II: qual é o objetivo da Nasa com nova missão tripulada à Lua após mais de 50 anos?
Como o plano prevê uma passagem em grande altitude ao redor da Lua, diferente de parte das missões Apollo, há a possibilidade de que esta seja a viagem tripulada mais distante da história.
A cápsula Orion foi lançada a bordo do foguete SLS, um conjunto de cerca de 98 metros de altura. Após a separação dos estágios em órbita, os astronautas devem realizar testes de manobrabilidade da espaçonave, validar sistemas de suporte à vida e conduzir experimentos científicos ao longo da missão.
(Com AFP e New York Times)
