Veja o que já se sabe sobre a cobertura de Cláudio Castro que foi alvo de operação da PF

Veja o que já se sabe sobre a cobertura de Cláudio Castro que foi alvo de operação da PF

 

Fonte: Bandeira



Onze dias depois de a Polícia Federal (PF) ir ao condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, para cumprir mandados de busca e apreensão no apartamento do ex-governador Cláudio Castro, os agentes voltaram ao local nesta terça-feira. Alvo de uma nova operação, o político, no entanto, está em um novo imóvel dentro do mesmo bloco: agora, Castro ocupa uma cobertura, avaliada em mais de R$ 4 milhões.

A estimativa do valor é possível graças à avaliação de outros imóveis semelhantes no endereço. Na decisão do ministro André Mendonça, foi autorizada a realização de buscas em "locais diversos daqueles apresentados na representação da PF por conta de "eventual descoberta ou alteração de endereço".

A cobertura em que a PF esteve nesta manhã passou por uma grande reforma recentemente. Com piscina cercada por vidros e área de lazer com plantas, e mais de 300 metros quadrados, a cobertura fica no centro do condomínio, que é cercado pela Lagoa da Tijuca.

No momento da ação policial, Castro — que colaborou com as buscas "com serenidade", de acordo com Carlo Luchione, seu advogado — estava acompanhado da mulher e da sogra no imóvel. Dois celulares do ex-governador foram apreendidos.

Até março, Cláudio Castro recebeu um salário mensal de R$ 16 mil, conforme consulta à remuneração dos servidores do estado. De acordo com consulta ao sistema de divulgação de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-governador declarou R$ 194.017,73 em bens na eleição de 2022, entre aplicações financeiras e contas bancárias, além de um apartamento de R$ 174,9 mil no bairro do Itanhangá, na Zona Sudoeste.

A operação

No último dia 15, Castro foi alvo de uma operação que apura suspeitas de fraude no setor de combustíveis. Desta vez, o motivo da ação da PF foi a investigação de aportes feito pelo Governo do Estado do Rio, por meio do Rioprevidência, em fundos ligados ao Banco Master. Além de Castro, são alvo integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes considerados suspeitos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras do Master. As operações teriam movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024.

Nesta nova fase da investigação, os policiais apuram ainda aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento ligados à mesma instituição financeira. Somadas, as transferências do Rioprevidência teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões.

Os recursos teriam saído principalmente do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil beneficiários estaduais, além da Cedae, estatal de abastecimento de água do estado.

O Banco Master foi liquidado em novembro, após a prisão do seu fundador, Daniel Vorcaro, por suspeita de fraudes financeiras. A PF apura o pagamento de propina a agentes públicos para conseguir aumentar os aportes no Master, a criação de fundos fictícios para inflar o valor do banco, além da utilização de uma rede de fundos de investimentos para esconder a origem dos recursos.

As suspeitas de investigadores é que Vorcaro utilizava suas relações com políticos para obter vantagens. É neste contexto que a PF apura irregularidades nos aportes feitos pela Rioprevidência, à época comandado por Deivis Marcon Antunes, indicado ao cargo por caciques do União Brasil.