Veículos usados são o principal alvo dos criminosos: roubos de carros com mais de 10 anos avançam em SP
Os veículos usados continuam sendo os principais alvos de roubos e furtos no estado de São Paulo, mas um novo movimento tem chamado a atenção nas ruas. Agora, carros antigos também se destacam nos radares dos criminosos. Dados indicam que os automóveis com mais de 10 anos de uso vêm ganhando espaço nas ocorrências nos últimos anos. As informações são do Mapa do Crime, ferramenta interativa de monitoramento de roubos exclusiva do GLOBO.
Os veículos usados, entre 4 e 10 anos de uso, seguem como os principais alvos de roubos e furtos em São Paulo. Em 2023, foram 3.360 casos (46,19% do total), número que caiu para 2.186 (41,67%) em 2024 e 1.577 (41,06%) em 2025. Apesar da liderança, os dados revelam uma mudança no perfil dos crimes, com crescimento dos casos com veículos mais antigos entre os alvos.
Carros com mais de 10 anos de uso vêm ganhando espaço nas estatísticas, passando de 1.794 casos em 2023 (24% do total), para 1.463 em 2024 (27%) e atingindo 1.111 (28%) em 2025. Já os modelos novos e seminovos, de até três anos, mantêm participação estável, com 2.120 casos em 2023 (29% do total) 1.597 em 2024 (30%) e 1.153 (30%) em 2025. A tendência indica uma mudança nos alvos dos criminosos e acende um alerta sobre a crescente procura por veículos mais antigos.
Mapa do crime de SP
Editoria de arte/ O GLOBO
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— Uma pessoa física precisa de um carrinho, vai lá, compra um mais baratinho e mais usado, mas depois as manutenções chegam. O carro começa a dar problema e aí ele já está apertado. É onde que o desmanche clandestino acaba entrando em ação. É a oportunidade deles, atender a esse mercado — explica o gerente de operação da Ituran, Fernando Correia.
O que é o Mapa do Crime de São Paulo?
O Mapa do Crime de São Paulo foi produzido a partir de microdados de 330 mil boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Ao contrário do Rio, São Paulo torna públicas as coordenadas e os nomes das ruas das ocorrências. O levantamento cobre roubos ocorridos entre 2023 e 2025. Diferentemente do governo paulista, O GLOBO usou a data do fato — e não a do registro na polícia. Assim, um roubo ocorrido em 31 de dezembro e registrado no dia seguinte é contabilizado no ano correto. Erros de grafia e inconsistências nos dados foram corrigidos com auxílio de inteligência artificial.
Disponível no site do jornal, com acesso pelo computador, celular ou tablet, a ferramenta permite navegar por uma compilação inédita de dados de roubos na capital, com filtros sobre tipos, marcas e cores dos bens subtraídos.
Para usá-la, busque o endereço da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro ponto da cidade e escolha um dos quatro tipos de crime disponíveis: roubo de celular, de carro, de moto e de rua — esse último inclui carteiras, colares, alianças e relógios levados de pedestres. Cada ponto no mapa corresponde a uma ocorrência e, ao ser clicado, mostra detalhes do crime e dados sobre a rua: total de casos em 2025, série histórica dos últimos três anos, bens mais roubados ali e um mapa de calor com horários e dias de maior incidência. Também é possível refinar as buscas por tipo, marca e cor do bem roubado — para descobrir, por exemplo, quantos HB20 brancos foram roubados em determinada via — ou navegar por um ranking de ruas.
