Vazamento em mina da Vale despeja volume equivalente a 88 piscinas olímpicas em rios de Ouro Preto
O volume de água e sedimentos que vazou da cava da mina de Fábrica, da Vale, entre Ouro Preto e Congonhas, nesse domingo (25), ultrapassa 220 mil metros cúbicos, o equivalente a cerca de 88 piscinas olímpicas cheias. O material atingiu pelo menos três córregos e rios que abastecem a cidade.
ANM e Defesas Civis avaliam transbordamento de água e sedimentos em mina da Vale entre Congonhas e Ouro Preto
Segundo o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, o extravasamento deve provocar um impacto ambiental significativo no município.
"Não é uma barragem de rejeitos, mas uma estrutura de contenção que, ao extravasar, acabou não levando apenas o material que estava dentro dela, e sim tudo o que havia à frente. Isso provocou um impacto ambiental significativo, porque a água foi carregando todo o material que encontrou pelo caminho. A estimativa é de cerca de 220 mil metros cúbicos de água que vazaram dessa estrutura. Esse volume chegou a um córrego aqui do município, que deságua no principal rio que abastece a cidade."
Nesta segunda-feira (26), equipes da Agência Nacional de Mineração e das Defesas Civis de Congonhas e de Ouro Preto, vão avaliar os impactos do extravasamento de água e sedimentos da cava da mina, que fica entre as duas cidades.
Não houve registro de vítimas. No entanto, o líquido que vazou da estrutura atingiu a mina vizinha da CSN, Companhia Siderúrgica Nacional. A região está entre as mais afetadas pelas fortes chuvas dos últimos dias, com volumes que ultrapassaram os 100 milímetros.
A água que vazou da mina de Fábrica, na madrugada deste domingo, provocou o alagamento de áreas da unidade Pires, em Ouro Preto, pertencente à CSN Mineração. Foram atingidos o almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, áreas de embarque, entre outras estruturas e atividades.
A Vale confirmou o incidente, mas informou que não houve impacto sobre pessoas nem sobre a comunidade de Pires, na região. Segundo a empresa, como é praxe nesses casos, os órgãos competentes foram comunicados e as causas do extravasamento estão sendo apuradas.
A CSN afirmou que todas as suas estruturas de contenção de sedimentos operam normalmente. A mineradora informou ainda que acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes também já foram comunicadas.
O ministro de Ministério Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou à Agência Nacional de Mineração a adoção imediata de medidas para garantir a segurança das comunidades e a proteção do meio ambiente.
Entre as ações estão a fiscalização rigorosa das estruturas afetadas, a possível interdição da operação, o acionamento de órgãos ambientais e de defesa civil e a apuração de responsabilidades da Vale. O ministro também determinou a abertura de processo para investigar o caso e disse que o governo acompanhará de perto os desdobramentos.
