Vaticano detalha agenda do Papa Leão XIV na França nesta semana, com missa para 600 mil pessoas e encontro com vítimas de abusos

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A visita do Papa Leão XIV à França, de 25 a 28 de setembro, terá uma agenda intensa, com uma missa para cerca de 600 mil pessoas em Paris, encontro com vítimas de violência sexual na Igreja e passagens por Lourdes e Metz. A programação também inclui um discurso sobre o futuro da Europa, para o qual o presidente francês, Emmanuel Macron, convidou os chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia. O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular Quer morar fora? Ferramenta do GLOBO reúne informações sobre custo e qualidade de vida, salários, vistos, oportunidades e características de 36 países A viagem começa na sexta-feira, em Paris. Leão XIV chegará ao aeroporto de Orly, onde será recebido por Macron, e seguirá para o Palácio do Eliseu. Na capital francesa, também fará um discurso na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês). O encontro com os fiéis já ocorre no primeiro dia da viagem. A bordo do papamóvel, o Santo Padre seguirá para um encontro com os fiéis em um trajeto que irá da Igreja Notre-Dame-des-Champs até a Catedral de Notre-Dame, que deve reunir milhares de pessoas nas ruas da capital. Ele será o primeiro Papa a visitar a catedral desde sua reabertura, em dezembro de 2024, e participará das vésperas reservadas ao clero. Em Paris, os pontos altos da visita de Leão XIV serão a vigília com os jovens, no Stade de France, ainda na sexta, e a missa gigante na Praça da Concórdia, no sábado, para a qual já há cerca de 600 mil inscrições.

Ao contrário do que ocorre em algumas viagens internacionais de chefes de Estado, não estão previstos almoços ou jantares oficiais com o governo francês. Durante a passagem por Paris, o Papa fará as refeições na Nunciatura Apostólica. Programação em Lourdes e Metz No fim da tarde, o Pontífice retornará a Orly para seguir viagem a Lourdes, no sudoeste do país, um dos principais locais de peregrinação católica do mundo. A programação de sábado será encerrada com uma oração na gruta do santuário da cidade, onde, segundo a tradição católica, ocorreram as 18 aparições da Virgem Maria a Bernadette Soubirous, em 1858. No domingo, o Pontífice começará o dia com um encontro com os bispos da Conferência dos Bispos da França. Em seguida, celebrará uma missa no domingo na esplanada do santuário. Cerca de 200 mil pessoas são esperadas no local. Outro grande momento esperado será o encontro do Papa com vítimas de violência sexual em Lourdes. Leão XIV se reunirá, a portas fechadas, com sete vítimas de violência sexual na Igreja.

Visita do Papa: Argentina estima que Leão XIV mobilizará sete milhões de fiéis Em seguida, o Pontífice participará de um encontro no Accueil Notre-Dame, estrutura dedicada ao acolhimento de peregrinos doentes ou em situação de deficiência. Na ocasião, o Papa pretende abordar a questão do fim da vida, tema que mobilizou amplamente a Igreja na França enquanto o Parlamento discutia e aprovava um projeto de lei sobre a ajuda para morrer. A programação do dia será encerrada com uma procissão à luz de velas. O Papa ainda marca presença em Metz, no nordeste da França, na segunda-feira, 28 de setembro. Nesta última etapa da visita, haverá um encontro inter-religioso, junto a líderes muçulmanos, judeus e protestantes, e a presença de mais de 60 mil pessoas. O Santo Padre também participará do encontro “Nas raízes da Europa pela paz e pela unidade” e fará um discurso sobre o continente ao lado do presidente francês. Para a ocasião, Macron convidou os chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia, além de representantes das instituições comunitárias. A Presidência francesa, no entanto, não informou quais autoridades participarão. Retorno ao Peru: Papa Leão XIV fará visita privada a capela onde era conhecido como padre Roberto Após os compromissos, está previsto um trajeto de mais de dois quilômetros no papamóvel. No fim do dia, Macron acompanhará Leão XIV até o avião que o levará de volta, encerrando os quatro dias de visita à França. A escolha de Metz para o discurso sobre a Europa tem peso simbólico. A cidade fica em uma região que foi disputada entre França e Alemanha durante as duas guerras mundiais e está próxima de Scy-Chazelles, onde nasceu Robert Schuman (1886-1963), considerado um dos pais da integração europeia. Em 2021, o papa Francisco o declarou venerável. Em meio a mudanças no cenário geopolítico e ao avanço de forças eurocéticas dentro do continente, Leão XIV deve defender a recuperação dos fundamentos do projeto europeu presentes na Declaração Schuman, de 1950. O documento, inspirado pelo alto funcionário francês Jean Monnet, levou à criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e lançou as bases do processo de integração que posteriormente deu origem à União Europeia. Preocupações de fiéis e políticos Uma foto de página inteira de Leão XIV estampou a capa do jornal La Croix na segunda-feira. O diário realiza uma iniciativa junto a leitores, que escreveram cartas ao Santo Padre evocando as principais preocupações dos católicos neste momento. "Entre preocupações geopolíticas, pedidos de reforma da Igreja e confidências", as mensagens são um termômetro da relação dos franceses com o sumo Pontífice, diz o jornal.

O jornal Libération traz uma coluna assinada pelo deputado de esquerda Alexis Corbière, que escreve que o papa é bem-vindo na França, mas que o país não pode deixar de lado os princípios laicos da república. O texto destaca que 29% dos franceses se declaram católicos, o que mostra a importância desta religião no país. Ícone do punk, Patti Smith encontra Papa Leão XIV: 'Pareciam amigos compartilhando memórias e sonhos' O parlamentar esquerdista também contesta a realização da missa na Praça da Concórdia, um local com forte identidade política, onde foi selada a passagem da monarquia à república, além do uso de dinheiro público para o evento em Metz. Segundo ele, o acolhimento ao papa não pode infringir os princípios da França, onde a laicidade deve ser reafirmada e não ignorada.

Uma visita com peso histórico e político Será a primeira visita oficial de um Papa à França em 18 anos. O antecessor, Papa Francisco, esteve no país em três ocasiões – em Estrasburgo (2014), Marselha (2023) e Ajaccio (2024) –, mas sem realizar uma visita de Estado. Bento XVI, por sua vez, visitou a França em 2008, enquanto João Paulo II esteve no país sete vezes, tornando-o seu destino internacional mais frequente fora da Polônia. Diferentemente de alguns de seus predecessores, Leão XIV fala francês e tem demonstrado atenção especial ao país desde o início de seu pontificado, citando com frequência referências da espiritualidade francesa e acompanhando a evolução do catolicismo local. Galerias Relacionadas Para além da agenda oficial, a visita tende a funcionar como um termômetro do espaço da religião em uma sociedade fortemente secularizada. A forma como suas mensagens serão recebidas, tanto pelo público quanto pela classe política, pode indicar até que ponto a Igreja ainda consegue influenciar o debate social na França contemporânea. (Com RFI e AFP)

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