Vasco e Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas celebram o Dia dos Povos Indígenas antes de jogo

 

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A Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas (Sifba) entra em campo neste sábado, em São Januário, antes da partida entre Vasco e São Paulo, pelo Brasileiro, para celebrar o Dia dos Povos Indígenas, comemorado no domingo.

Quando Thalia Para Mirim Oliveira, de 12 anos, da etnia Guarani Mbya, pisar no gramado com o time cruzmaltino, as mais de 8.500 aldeias de todo o país estarão com ela.

Criada para promover o futebol, a cultura dos povos originários e a preservação do meio ambiente, a equipe é a única oficialmente reconhecida pelo Ministério dos Povos Indígenas e pela antiga Funai.

Recentemente, dois nomes internacionalmente conhecidos se juntaram à causa: Ronaldinho Gaúcho e o DJ Alok, que cedeu a canção “Canto do Vento” para ser a música-tema oficial da seleção.

História de luta contra proibição

A história da Sifba remonta ao início dos anos 80, quando a ditadura militar criou um projeto administrado pela Funai: os indígenas eram mantidos em internatos para estudar e aprender a cultura do homem branco, em uma tentativa de apagar completamente idiomas, costumes e crenças. Entre diversas restrições estava a proibição de jogar bola.

Após o fim do regime, um grupo que morava em Brasília decidiu transformar sua paixão pelo esporte em algo concreto: o Kurumin, primeiro time brasileiro de futebol originário, com indígenas de diversas etnias. Germinava ali a semente que, anos mais tarde, transformou-se em árvore frondosa pelas mãos de Matheus Terena, que estará presente em São Januário neste sábado: “Foi naquele momento que surgiu a vontade de formar uma seleção indígena”.

Em 2018, o influente líder passou a colher os frutos com a criação da seleção. A estreia aconteceu no ano seguinte, na I Copa de Futebol Indíngena do Triângulo Tukano, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, ao lado de 14 times masculinos e femininos. Desde então, a equipe reúne os melhores jogadores indígenas em atividade, atuando como potente ferramenta de preservação, fortalecimento e divulgação da identidade cultural indígena.

A convocação fica a cargo do Diretor de Futebol Gjargleo Aquira, conhecido como Kaiah, que acompanha os atletas por todo o Brasil. A lista mais recente reuniu 13 etnias e contemplou quatro das cinco regiões do país: Norte (Roraima e Tocantins), Nordeste (Bahia, Pernambuco, Maranhão e Paraíba), Sudeste (Espírito Santo) e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul). Kaiah também estará em São Januário nesta ação em homenagem aos povos indígenas.

Iniciativa pelo clima

Presidida por Terena e sediada em Brasília, a iniciativa ganhou notabilidade ao organizar relevantes competições indígenas. Uma das mais notáveis é o Gol pelo Clima, torneio que combina futebol e ações de conscientização sobre as mudanças climáticas, mostrando à sociedade o papel dos povos indígenas na preservação da natureza.

A preocupação ambiental e a valorização da educação se fazem presentes em outras frentes da Sifba, como o Banco de Sementes. Em parceria com comunidades indígenas, a entidade criou o projeto de preservação de sementes nativas, promovendo educação ambiental e sustentabilidade. Já a Xunaty é uma escola de futebol que vai muito além das quatro linhas: a iniciativa visa formar novos talentos indígenas, oferecendo aulas de educação formal e ambiental.

Ao valorizar o passado, a camisa de quem sempre esteve aqui – slogan que a seleção carrega em seu uniforme – aponta para o futuro. Jogar ao lado dos indígenas é a tática mais eficiente para vencer essa partida.