A perspectiva de um maior número de vagas temporárias disponíveis no segundo semestre pode ter impulsionado resultados mais favoráveis na Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A avaliação é de Rodolpho Tobler, economista da fundação responsável pelo indicador.
Na sondagem, veiculada nesta sexta-feira (14) pela fundação, a parcela dos que responderam ser muito improvável ou improvável perder o principal emprego ou a fonte de renda foi de 59,3%, em julho.
Foi a maior fatia na série da pesquisa, atualmente em sua 14ª edição, disse Tobler.
Ao mesmo tempo, a fatia dos que informaram ser “provável ou muito provável” perder o emprego foi a menor da série da sondagem.
“O que temos visto é que os trabalhadores ainda têm se enxergado em uma posição ainda muito favorável, no sentido de não entender que há algum risco, um grande risco, de perder o principal trabalho, a ocupação, nos próximos meses”, resumiu ele.
O especialista foi questionado sobre como entender os dados da sondagem com o comportamento da economia de serviços, que emprega mais da metade do mercado formal brasileiro.
Em junho, dado mais recente dessa atividade, mapeado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou estabilidade ante maio.
Tobler respondeu ser possível que os sinais de desaceleração no setor de serviços, embora já visíveis nos dados do IBGE, ainda não tenham sido totalmente percebidos pelos trabalhadores - ou não tenham levado a demissões em massa por parte das empresas do setor.
Outro ponto levantado pelo técnico é o fato de que comércio, também nos dados do IBGE, mostrou dados bons, com a segunda alta consecutiva no volume de vendas no varejo restrito, em junho ante maio.
Esse é um setor bastante empregador, lembrou ele.
Também o varejo é muito favorecido pela abertura de vagas temporárias, no segundo semestre, acrescentou.
Assim, a expectativa do trabalhador de encontrar uma economia mais aquecida, nos últimos seis meses do ano, principalmente no varejo, o que sempre ocorre, historicamente, também pode ter contribuído para o resultado positivo delineado na sondagem da fundação, notou.
“Quando entramos no segundo semestre, é natural que as pessoas fiquem mais animadas ou até um pouco mais seguras em relação ao seu trabalho.
Porque, de fato, ali no final do ano costuma ter esse aquecimento maior [na economia]” disse.
Assim, ele não descartou a continuidade, dessa percepção mais favorável do trabalhador, nos próximos meses, o que pode gerar novos impactos positivos, na sondagem.
Tânia Rêgo/Agência Brasil
