Vannessa Gerbelli fala de carreira, etarismo e maternidade

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Vannessa Gerbelli estrelará a nova montagem da peça "Confissões de adolescente" que estreia nesta sexta (23), na Sala Tom Jobim, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. A atriz conta o que o público pode esperar do musical, baseado no espetáculo de sucesso dos anos 1990: Entrevista: Luis Miranda fala do papel de padre na novela 'Lá na minha terra' e mostra sua nova casa na Bahia: 'Uma vitória' E mais: Carolina Kasting fala do período longe da TV, da filha atriz e do tratamento para distúrbio de imagem — A passagem da infância para a adolescência, que é a preparação para uma vida adulta, é sempre carregada de medo, expectativa e ansiedade para se descobrir quem se é essencialmente. Quem eu sou destacado do meu pai e da minha mãe? Acho que isso é universal. É um rito de passagem. O espetáculo de agora faz comparações muito interessantes com o dos anos 1990, porque traz alguns textos que são do passado. Existe uma atualização que é proposital e é, na verdade, um dos motes da peça: comparar os anos 1990 com 2026. Aos 53 anos, Vannessa interpreta a mãe da protagonista, Carol, vivida por Flor Gil. Ela dá mais detalhes de sua personagem: — É uma mulher que está com 40, 50 e poucos anos, então, na menopausa. A peça fala um pouco desse drama: enquanto a filha está se tornando uma mulher, ela está saindo da juventude e entrando numa maturidade que a assusta. É como se fosse uma adolescência ao contrário. Essa meia-idade mais avançada está deixando a personagem mais ansiosa. Ela também fez uma mudança na vida. Era uma mulher bem-sucedida, workaholic, mas vende a empresa dela e fica mais tempo com a filha em casa. Está podendo olhar para essa menina com mais presença. E aí os atritos começam a acontecer. Quando ela começa a relembrar a própria adolescência, isso faz com que ela se aproxime da filha.

Mãe de Tito Coimbra, de 19 anos, fruto do casamento com o diretor Vinicius Coimbra, Vannessa detalha como é a sua relação com o filho e conta como lidou com as transformações dele na adolescência: — Na época em que ele começou a adolescência, eu fui muito ajudada por uma terapeuta. Eu sou muito apaixonada por psicanálise, terapia. E essa mulher me ensinou uma coisa importante: o adolescente está em grande conflito e sem tanta capacidade psíquica mesmo, porque o cérebro de um adolescente termina de se formar aos 27 anos. Então, eles não estão ainda muito preparados para viver todas as transformações hormonais. Essa mulher foi crucial na minha maternidade, porque ela falava: "Você precisa acolher". Então, eu tentei nunca ficar questionando ou obrigando ele a fazer coisas. Era sempre olhando para ele em primeiro lugar e vendo que ali existia um ser em conflito. Isso fez total diferença para a amizade que nós temos hoje. Nós somos parceiros, conversamos sobre coisas íntimas e profundas. Eles se aconselha comigo e, muitas vezes, eu com ele também. Ele é um menino sensível no sentido de que era uma pessoa mais tímida, mais fechada. E ele foi superando isso e se encontrando. Hoje em dia tem uma vida superfeliz, mas passou por fases de tristeza, de revolta com tudo. Até porque a fase mais crítica da adolescência dele foi na pandemia.

Com 25 anos de carreira na televisão, Vannessa viralizou nas redes recentemente ao postar um vídeo falando sobre a necessidade do networking para se manter na televisão. A atriz conta que sempre recebe pedido dos fãs para voltar, mas explica que isso não depende apenas dela: — As pessoas não têm noção de que é um mercado restrito. É muito pouco trabalho para muitos profissionais. É natural que esse networking aconteça, que as pessoas queiram trabalhar com quem já trabalharam. Eu vivo essa realidade desde que entrei para a televisão. As pessoas pensam: "Ah, mas fulana é tão boa. Claro que ela vai voltar a trabalhar". Não. Isso depende de muitas variantes. Muitas vezes a atriz é boa e indicada para o trabalho, mas o produtor quer uma pessoa que tenha mais popularidade. Hoje em dia, os números são cada vez mais requisitados. É algo que realmente está diferente. As pessoas pensam: "Ela cansou, não quer mais fazer TV". Isso acontece não só comigo, mas com vários amigos. A gente não quis parar. Então, foi isso que eu quis explicar no vídeo de uma maneira geral e para todo mundo. A atriz ressalta que hoje em dia os papéis de protagonismo mudaram de perfil: — Existe uma nova visão de mercado. Existe o etarismo. Os papéis desceram de faixa etária. Quando eu comecei, 25 anos atrás, os grandes papéis eram de mulheres de 50 anos. Lilia Cabral, Eva Wilma, Susana Vieira, Vera Fischer e tantas outras. Elas estavam no auge fazendo coisas maravilhosas. Eram papéis muito bons. Hoje, os papéis importantes estão nas mãos de pessoas mais jovens. E eu acho isso um engano, um erro, porque a população está cada vez mais velha. As pessoas estão envelhecendo muito melhor e precisam de produtos e serviços, isso é fato. E cada vez vão precisar mais. Eu penso que a tendência é mudar. Estamos envelhecendo, e quem não enxergar isso vai acabar perdendo público. TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp Recentemente, Vannessa ganhou o prêmio de melhor atriz no 17º FESTin (Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa), em Portugal, por sua atuação em "Perto do sol é mais claro", em que faz par romântico com Reginaldo Faria, pai de Régis, seu ex-marido. O longa chegou aos cinemas em maio: — Ah, foi muito divertido. Esse filme só me deu alegrias. É um filme feito de uma maneira super despretensiosa. E foi o Reginaldo quem sugeriu que eu fizesse o papel. Ele é uma pessoa sensacional, nós temos uma relação ótima. Foi divertido porque ele é meu par romântico, e eu já fui par romântico do Marcelo também numa outra novela. Ou seja, eu fui casada com o filho e já fui par romântico do irmão e do pai. Mas foi tranquilo, porque na verdade somos atores, profissionais. Levamos tudo com o máximo de bom humor. É uma família que está realmente no meu coração. Eu gosto muito deles. Vannessa namora há um ano e meio o escritor Pablo Kaschner. Ela conta se pensa em oficializar a união novamente: — Casar, não. Eu estou feliz nessa relação. Vannessa Gerbelli e Reginaldo Faria Divulgação/Pino Gomes Galerias Relacionadas

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