Vance diz que parte do governo de Israel tentou influenciar EUA contra acordo com o Irã
O vice-presidente J.D.
Vance afirmou que integrantes do governo de Israel tentaram influenciar a opinião pública americana para se opor a um acordo dos Estados Unidos destinado a encerrar a guerra com o Irã, em episódio do podcast de Joe Rogan publicado na quarta-feira.
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As declarações retomam críticas anteriores de Vance à política do governo israelense e ampliam o distanciamento público entre os dois países.
Vance é visto por muitos como um possível futuro candidato à Presidência.
O vice-presidente defendeu o acordo alcançado no mês passado para encerrar a guerra com o Irã.
Críticos nos Estados Unidos e em Israel afirmam que o entendimento não limita o programa de mísseis iraniano, não apresenta um caminho claro para o desmantelamento das instalações nucleares do país e, ao mesmo tempo, restringe Israel em sua guerra contra o Hezbollah no Líbano.
“Sei, sem sombra de dúvida, que houve pessoas dentro do governo israelense tentando nos afastar dessa política porque querem continuar a campanha militar”, disse Vance.
O vice-presidente afirmou que, embora mantenha “boas relações” com alguns integrantes do governo israelense, “há pessoas dentro do sistema deles que sabemos, sem sombra de dúvida, que estão manipulando e tentando mudar a opinião pública americana para manter a guerra indefinidamente”.
Vance disse que muitos países, aliados e adversários, tentam influenciar a política americana e que “não me incomoda que Israel tente fazer isso; francamente, nem sequer me incomoda que a Rússia ou alguns desses outros países façam o mesmo”.
Segundo ele, isso é “apenas parte da realidade de ser um líder político em 2026”.
“O que me incomoda é quando essas operações, essas campanhas de influência, de fato afetam o julgamento político americano”, afirmou.
Em junho, Vance criticou duramente os opositores israelenses do acordo com o Irã, dizendo que o presidente Donald Trump é o único aliado de Israel, em uma repreensão que fez referência aos bilhões de dólares em ajuda militar americana recebidos pelo país.
Autoridades israelenses de alto escalão, falando sob condição de anonimato, afirmaram que os termos do acordo eram ruins para Israel por não abordarem as preocupações com os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã, uma avaliação que, segundo elas, é compartilhada por toda a liderança israelense.
Questionado se acreditava que os Estados Unidos teriam entrado na guerra mais recente contra o Irã sem a influência de Israel, Vance respondeu: “Sim, acredito que sim”.
“Acho que o presidente, independentemente de qualquer influência de Israel, acredita firmemente — e, mais uma vez, eu concordo com isso — que o Irã não deve ter uma arma nuclear”, disse.
O gabinete do primeiro-ministro de Israel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
