Vale isso tudo? Ferrari dos anos 50 pode ser vendida por R$ 2,6 milhões em leilão nos EUA mesmo enferrujada e sem funcionar; veja imagens

 

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Um exemplar enferrujado de 67 anos da Ferrari deve alcançar até US$ 500 mil (cerca de R$ 2,61 milhões) durante um leilão marcado para os dias 5 e 6 de março nos Estados Unidos. O modelo em questão é um Ferrari 250 GT Coupé de 1959 que está armazenado desde 1969 e necessita de uma restauração completa. O carro não funciona, e motor, carroceria e interior exigem uma revisão integral, processo que deve custar uma quantia considerável.

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Ainda assim, a estimativa da casa Gooding Christie’s, uma das maiores do ramo de leilões, é de que o ítem seja vendido por um valor entre US$ 300 mil e US$ 500 mil (de R$ 1,56 milhão a R$ 2,61 milhões).

Um ícone de quatro rodas

Apresentado no Salão do Automóvel de Paris, o elegante coupé desenhado pela Pininfarina marcou um ponto de virada para a fabricante fundada por Enzo Ferrari. À época, o empresário buscava estabilizar as finanças da companhia. Produzido em maior escala para os padrões da marca — foram 353 unidades entre 1958 e 1960 — o modelo ajudou a financiar o programa de competições da Ferrari, estruturar uma produção mais industrial e consolidar a reputação internacional do cavalinho rampante.

O exemplar que será ofertado em Amelia Island, na Flórida, é o chassi 1359 GT, o 158º entre os 353 fabricados. Sob o capô está o lendário motor V12 Tipo 128D de 2.953 cm³, alimentado por três carburadores Weber e capaz de desenvolver 220 cv a 7.000 rpm, acoplado a um câmbio manual de quatro marchas. O conjunto mecânico enviava a força às rodas traseiras, com frenagem garantida por tambores nas quatro rodas — especificações que ainda hoje entusiasmam colecionadores.

Motor V12 do modelo

Reprodução: goodingco.com

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Entregue originalmente em Roma, em julho de 1959, na cor Grigio Fumo (um tom de cinza) com interior em vinil bege e couro Connolly, o carro teve uma trajetória movimentada em sua primeira década de vida. Mudou de proprietário sete vezes e recebeu modificações típicas de época: para-choques removidos, faróis cobertos com capas Carello, ignição dupla, porcas de roda especiais e bateria relocada. As alterações sugerem possível uso em competições na Suíça ou na Alemanha.

Meio século de silêncio

Em 1969, um militar americano baseado na Baviera, no sul da Alemanha, comprou o carro e o enviou para Newark, em Nova Jersey. Ele o dirigiu algumas vezes antes de guardá-lo. Desde então, o veículo permaneceu armazenado por mais de meio século — protegido, mas congelado no tempo.

Parte interna da Ferrari 250 GT Coupé

Reprodução: goodingco.com

Hoje, a Ferrari não ostenta o brilho de outros.tempos A carroceria exibe marcas de décadas de imobilidade. A ferrugem superficial tomou conta dos painéis, a pintura original está desgastada, e o aspecto geral remete a um cenário quase pós-apocalíptico. Tecnicamente, praticamente tudo precisa ser revisado. Após mais de 55 anos parado, motor, transmissão, freios e demais componentes exigirão reconstrução completa antes de qualquer retorno às ruas.

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Por outro lado, o carro preserva números de chassi e motor correspondentes — um ponto crucial para puristas — e é acompanhado por um relatório do historiador da Ferrari Marcel Massini.

Entre colecionadores, há quem defenda que “um carro só é original uma vez”. Restaurá-lo completamente poderia significar apagar parte de sua história; manter a pátina, por outro lado, preservaria as marcas de seu passado.

Visão traseira da Ferrari 250 GT Coupé

Reprodução: goodingco.com

O leilão de Amelia Island é um dos eventos mais aguardados do ano no calendário automotivo. Além deste 250 GT Coupé, outros clássicos da Ferrari estarão à venda, incluindo um 250 GT SWB California Spider de 1960 em estado impecável, com estimativa entre US$ 16 milhões e US$ 18 milhões (de R$ 83,52 milhões a R$ 93,96 milhões).

Diante da estimativa considerada “razoável” para os padrões do mercado de Ferrari 250 GT restauradas — que frequentemente ultrapassam a marca de US$ 1 milhão — o futuro proprietário terá uma decisão delicada: devolver o carro às condições de fábrica ou permitir que continue contando, na própria lataria, a história iniciada em 1959.