Em entrevista ao programa Timeline da Rádio Gaúcha, nesta quarta-feira, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, defendeu a anistia ao envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro, argumentou que planejamento de golpe não deveria ser considerado crime e, irritado com as perguntas sobre o tema, respondeu com um "sei lá" sobre as possibilidades de que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, tente medida similar no futuro. Em seguida, porém, o próprio Valdemar afirmou que "nunca, jamais" isso seria cogitado, sobretudo após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. E como ficou a apuração? Confira aqui todos os resultados pelo Brasil Entenda a distribuição dos votos pelo país: veja o mapa do GLOBO que mostra como cada estado votou para presidente E o senado? Veja a distribuição das cadeiras entre os partidos mais votados Valdemar demonstrou otimismo com a possibilidade de Jair Bolsonaro ser anistiado e deixar a prisão domiciliar em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ficar à frente do petista no primeiro. O dirigente partidário voltou a afirmar que o ex-presidente não teria cargo numa gestão Flávio, mas que participaria informalmente.
Ao falar sobre a promessa de anistia a todos os condenados por golpe de Estado, Valdemar explicou que a intenção é "soltar todos os militares que estão presos injustamente". Ele justificou sustentando que o planejamento golpista não deveria ser tratado como um crime.
— A lei diz que você pode planejar um assassinato, mas se você não assassinou o camarada, e não tentou, não é crime — afirmou o presidente do PL, enquanto era questionado pelos entrevistadores sobre os eventos do 8 de Janeiro. — Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí? O jornalista Paulo Germano, apresentador do Timeline, perguntou então se ele reconhecia que houve de fato um "planejamento" de golpe. Costa Neto respondeu positivamente: — Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio? — pontuou. Germando fez, então, a seguinte pergunta: "Quem nos garante que esse planejamento não ocorrerá de novo em um eventual governo Flávio Bolsonaro? O senhor acha que podem tentar de novo?" Visivelmente irritado com a insistência no assunto, Valdemar respondeu: — Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento, não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que tá pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais — disse o presidente do PL, encerrando o tema. Presença de Jair Bolsonaro no governo Outro tema da entrevista foi a possibilidade de Jair Bolsonaro, após ser anistiado, receber um cargo em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Valdemar Costa Neto disse que o pai do senador não teria um cargo formal, mas participaria informalmente. — Bolsonaro logicamente vai dar opinião no governo, não tenho dúvida disso. Mas não vai fazer parte do governo — respondeu. Mudar a Constituição Os entrevistadores também questionaram o dirigente sobre as falas de Flávio Bolsonaro em agenda ao lado de Ronaldo Caiado (PSD) nesta terça-feira, quando o presidenciável disse que iria promover mudanças na Constituição. O presidente do PL primeiro justificou que a preocupação de Flávio era com a "parte tributária", o excesso de impostos e de ministérios no Brasil, temas que não dependem de alterações constituicionais para se realizar mudanças. Depois, Valdemar citou a promessa de acabar com a reeleição como uma medida no pacote de "mudanças na Constituição". — Ele quer acabar com a reeleição — afirmou Valdemar Costa Neto, que disse que na sua opinião a eleição já está definida. — Não tem erro.
Impeachment de ministros do STF Sobre as propostas de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que foram base de campanha de diversos senadores eleitos pelo PL e do próprio Flavio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto evitou garantir que isso aconteceria e repetiu que esse asunto precisa ser discutido no Congresso. Como a coluna da Malu Gaspar mostrou, já há ao menos 49 senadores que defendem a pauta. — Isso precisa ser discutido. O ideal para nós era que o Supremo resolvesse os problemas dentro do Supremo, mas é uma pauta que vai ter uma discussão grande. Não vamos resolver nada com guerra, na minha opinião. Temos que ter habilidade de tocar país para frente. Se brigar com Supremo, Legislativo, isso atrasa o país.
Participação de Michele Bolsonaro no Segundo Turno Eleita senadora pelo Distrito Federal, Michele Bolsonaro (PL) terá participação na campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno, afirmou Valdemar Costa Neto, que a chamou de "craque". — Agora ela vai poder andar o Brasil nesse período para trabalhar para o Flávio para valer. Ela tem muito talento, faz muita falta em todo lugar. É uma craque.
O Globo