Vaiado por parte da torcida, John Textor defende solução Botafogo e admite sair 'se outra pessoa puder investir' no clube
No Rio de Janeiro após convocar uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) do Botafogo, John Textor compareceu ao estádio Nilton Santos, nesta terça-feira, para acompanhar a partida contra a Chapecoense, válida pela ida da terceira fase da Copa do Brasil. Antes de a bola rolar, o dono da SAF alvinegra foi ao gramado para acompanhar o aquecimento dos jogadores e chegou a ser vaiado por parte dos torcedores.
Em meio a uma disputa de poder dentro de sua rede multiclubes, o empresário falou sobre o futuro do Botafogo em entrevista à TV Globo e ao ge. Principal credora da empresa, a Ares conseguiu, na justiça britânica, colocar a Eagle Bidco, subsdiária da Eagle que administra os clubes, em administração judicial, pela Cork Gully.
— Eu prefiro ser arrastado para fora do prédio chutando, gritando e meio morto antes de deixar esse clube. Mas estou tentando colocar o meu dinheiro aqui por muito tempo. Se eu não consigo fazer isso legalmente e outra pessoa quiser pagar... Criamos um projeto, vivemos um sonho, mas queremos ganhar mais e o clube precisa de dinheiro. Se eles não me deixarem investir e outra pessoa puder, é o melhor para a torcida. Não é sobre mim, é sobre Botafogo — afirmou o americano em entrevista à TV Globo e ao ge.
John Textor no Nilton Santos para Botafogo x Chapecoense, pela Copa do Brasil
Reprodução
O empresário americano esteve no Nilton Santos na segunda-feira para a Assembleia Geral Extraordinária. Porém, houve apenas uma reunião, e a AGE foi adiada para a próxima segunda, devido à ausência dos outros acionistas.
— A Eagle Bidco não apareceu. Eles disseram que sim porque mandaram advogados, mas não é o que queremos. Queremos voz, uma pessoa que sente à mesa e diga: "Não vamos deixar você cuidar do clube, John. Nós vamos cuidar do clube". Não tivemos quórum na primeira reunião, terá outra no dia 27. Eu não me importo qual resultado será. Se eu estou dentro ou fora, desde que alguém esteja pagando as contas deste lindo clube. Os torcedores merecem. Não é a Eagle Bid Co., eu sou o sócio majoritário da Eagle. É a Ares. Fazendo o melhor que podem para proteger o time da França (Lyon) e sacrificar o do Brasil (Botafogo) — atacou o empresário — completou.
Com a SAF do Botafogo mergulhada em dívidas, sob novo transfer ban da Fifa e com direitos de imagem em atraso, Textor convocou a AGE para tentar aprovar um aporte de 25 milhões de dólares (cerca de R$ 125 milhões) e colocar a SAF do clube em recuperação judicial. Para isso, seria emitidas novas ações e o controle da SAF passaria para outra empresa em seu nome, nas Ilhas Cayman.
— Chega de advogados, atividades nas sombras, pessoas trabalhando por baixo dos panos. Venha para a reunião, coloque suas opiniões de forma transparente, encerre a reunião, venha com capital e soluções ou saia do caminho. Eu fiz uma oferta de investimento de 25 milhões de dólares. Eu só posso colocar isso em forma de dívida, o que não é saudável. Eu pedi autorização para meu investimento de 25 milhões de dólares ser aprovado e queria votar isso. Se não for por mim, também pedi uma autorização para criar ações para atrair investidores externos — justificou Textor.
Para isso, ele precisaria da aprovação do associativo. Porém, tanto o Botafogo social quanto a Eagle Bidco, sob administração judicial da Cork Gully, e a Ares, principal credora da Eagle, dão sinais contrários a uma recuperação judicial da SAF com a manutenção de Textor no poder.
