A cobertura vacinal contra a dengue entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em Goiás segue abaixo do esperado, apesar da disponibilidade de doses para todo o público-alvo. De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES), o estado notificou, até o momento, 172.041 casos de dengue em todas as faixas etárias, dos quais 111.148 foram confirmados.
Em vídeo enviado ao Jornal Opção, a subsecretária de Vigilância em Saúde SES, Flúvia Amorim, falou, nesta sexta-feira, 30, sobre os diferentes fatores que podem estar influenciando a baixa adesão à vacinação e reforçou a importância de completar o esquema vacinal com duas doses. Segundo ela, a campanha teve início em fevereiro de 2024, período em que o estado enfrentava uma alta circulação da dengue.
“2024 foi um ano que nós tivemos muita dengue, principalmente ali no começo do ano, foi quando a gente teve uma procura muito boa. E o número de casos foi diminuindo ao longo do tempo.
2025 foi um ano mais tranquilo. Então, às vezes, a baixa percepção de risco”, afirmou.
Flúvia explicou que a redução no número de casos não elimina o risco da doença. “Mesmo quando temos menos casos, os casos continuam acontecendo e os óbitos e as internações também.
Por isso é muito importante a vacinação, é a melhor forma de prevenção”, disse. Ela lembrou ainda que a vacina está disponível para toda a população de 10 a 14 anos e que a imunização completa depende da aplicação de duas doses.
Para ampliar a cobertura vacinal, a SES tem atuado junto aos municípios, responsáveis pela execução da vacinação nas unidades de saúde. De acordo com a subsecretária, uma das estratégias é ampliar o acesso da população aos serviços.
“Temos trabalhado com os municípios para estender o horário de funcionamento dessas unidades, a possibilidade de abertura de unidades aos finais de semana, porque às vezes os pais trabalham durante a semana e não têm tempo para levar os seus filhos”, apontou. Uma outra frente de atuação envolve ações de mobilização dentro das escolas.
“Sempre estar mobilizando dentro das escolas, explicando a importância dessa vacinação para que a gente tenha, pelo menos aqui no estado de Goiás, essa população de 10 a 14 anos totalmente protegida”, disse. Ela voltou a reforçar que o esquema vacinal é composto por duas aplicações, com intervalo de 90 dias entre elas.
Em relação ao abastecimento, Flúvia afirmou que o estado tem recebido quantidade suficiente de doses para atender a população elegível. O principal desafio, segundo ela, é garantir que crianças e adolescentes procurem os postos de vacinação e concluam o esquema recomendado.
Os números atuais preocupam a área da saúde. Conforme a subsecretária, apenas 54% da população de 10 a 14 anos em Goiás recebeu a primeira dose da vacina.
Entre os que iniciaram a imunização, somente 33% retornaram para receber a segunda aplicação. “Nós temos um grande quantitativo que nem iniciou o esquema vacinal e também um grande quantitativo que tomou a primeira dose e não retornou para tomar a segunda.
E isso não garante proteção”, destacou. Ela orientou que mesmo quem está com a segunda dose em atraso deve procurar uma unidade de saúde para completar a vacinação.
“Quem tomou a primeira retorne, mesmo que esteja com a dose atrasada, mas que retorne ao posto de vacinação para completar o esquema”, explicou. Ao ser questionada sobre a meta de cobertura vacinal, Flúvia afirmou que o objetivo é alcançar toda a população contemplada pela estratégia.
“O ideal é vacinarmos 100% desse público. É um público menor dentro do recorte da população, nós estamos falando aí de 10 a 14 anos apenas.
Então, o que nós esperamos é que 100% vacinem-se”, disse. A subsecretária também ressaltou que o imunizante disponível na rede pública é o mesmo ofertado na rede privada.
“É uma vacina segura, é uma vacina eficaz.” Ela lembrou ainda que a doença afeta significativamente essa faixa etária. “Nós tivemos 11 mil casos nessa faixa etária de 10 a 14 anos.
Ou seja, é uma faixa etária que também é atingida pela doença”, afirmou. Ao final, reforçou o apelo às famílias.
“Nenhum pai com certeza quer ver seu filho doente. Por isso, procure um posto de vacinação, leve seu filho ou sua filha de 10 a 14 anos e proteja”, apontou.
Período chuvoso causa preocupação à Secretaria A Secretaria de Saúde também alerta, com a aproximação do período chuvoso, para a necessidade de intensificar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti.
Ao Jornal Opção, a superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES, Cristina Laval, afirmou, nesta sexta-feira, 30, que o cenário exige atenção diante do aumento dos casos de arboviroses. “Com a chegada das chuvas de forma mais consistente no nosso estado, é esperado que haja um aumento do número de casos tanto de dengue quanto Chikungunya, principalmente.
Já que durante todo esse ano de 2026 a gente já viu um aumento consistente dessas duas arboviroses”, afirmou. Segundo Cristina, a eliminação dos criadouros do mosquito transmissor da dengue, da Chikungunya e de outras arboviroses urbanas deve ser intensificada pelo poder público e pela população.
Ela destacou que a maioria dos focos é encontrada dentro das residências. “É muito importante que uma vez a cada cinco dias a gente faça um checklist na nossa residência, porque 80% dos criadouros estão dentro das residências, principalmente no lixo doméstico”, disse.
As medidas recomendadas incluem a retirada de recipientes que acumulam água, o acondicionamento correto do lixo, a limpeza de calhas, a vedação de caixas d’água e a eliminação de focos em pratinhos de plantas e vasilhas de animais domésticos. “Tudo isso é extremamente importante.
E daqui para frente a gente precisa redobrar esses cuidados”, afirmou. A superintendente também orientou a população sobre os principais sinais e sintomas das arboviroses.
“Principalmente febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele e dor no corpo são sintomas que fazem suspeitar de alguma arbovirose, sobretudo dengue e Chikungunya”, apontou. Ela reforçou ainda a importância de procurar atendimento médico diante dos sintomas, especialmente em situações consideradas de alerta.
“Dor abdominal constante, vômito, febre que não cede, é extremamente importante para que se faça o diagnóstico de forma oportuna, inicie o tratamento, que basicamente é hidratação, para que evite casos graves e, sobretudo, óbitos”, disse. De acordo com Cristina Laval, a redução de complicações e mortes associadas às arboviroses permanece como a principal meta das ações de vigilância em saúde no estado.
“Nossa grande meta é reduzir casos graves e óbitos”, finalizou. Leia também:
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