O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse, neste domingo, que a pasta conseguiu ampliar a compra de vacinas contra a mpox para 25 mil doses. A aquisição ocorre por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas.
"Conseguimos ampliar de 20 mil para 25 mil o pedido de doses da vacina contra a mpox junto ao único laboratório que produz vacinas pré-qualificadas pela OMS. Com a aplicação intradérmica para alguns grupos, cada dose rende até 5x mais", escreveu numa publicação nas redes sociais.
Na última semana, o ministério já enviou mais 2 mil doses do imunizante para Rio de Janeiro, que vive uma alta de casos, para reforçar a estratégia de proteção. Segundo Padilha, há um aumento dos diagnósticos em algumas capitais, mas ainda distante dos números do surto global de 2022.
— Temos um sistema de vigilância que detectou um aumento de casos em algumas capitais, mas menor inclusive que nos anos anteriores e muito menor que o surto que tivemos em 2022 de 11 mil casos. Um grande desafio é que só tem um produtor internacional da vacina qualificado pela OMS.
O Ministério da Saúde já solicitou à OMS, que é o canal exclusivo, a aquisição do máximo (de doses) que puder para o Brasil — disse Padilha em vídeo que acompanhou a publicação. Quem pode se vacinar contra a mpox?
Devido ao número limitado de doses disponíveis mundialmente para aquisição, a vacinação é restrita a públicos específicos em maior risco de exposição ou de agravamento da mpox. No Brasil, a estratégia contempla pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão (com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³).
O imunizante é aplicado em duas doses, com um intervalo de 28 dias entre elas. Quando há sobra de doses, a vacinação também pode ser estendida para pessoas que vivem com HIV/Aids com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus e indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com um caso suspeito ou confirmado de mpox, após avaliação da vigilância em saúde.
— Não existe vacinação em massa, não tem recomendação da OMS e nenhum país faz isso — frisou Padilha. Logo, pessoas que não fazem parte dos grupos mencionados acima não têm indicação e, por isso, não receberão a vacina.
Segundo o ministério, em 2026, foram notificados 665 casos de mpox no Brasil até outubro. O número representa uma redução de 94% em relação aos 10.821 casos notificados no país em 2022, ano em que o vírus passou a se disseminar globalmente.
Em comparação com o ano passado, o país também vive uma tendência de diminuição. De acordo com o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, foram confirmados 1.074 diagnósticos em 2025, o que, por sua vez, foi também uma queda em relação aos 1.989 de 2024.
Alta no Rio de Janeiro No entanto, segundo os dados mais atualizados do painel epidemiológico do estado do Rio de Janeiro, já subiu para 346 o número de casos confirmados de mpox em 2026, uma alta de 174,6% em relação a todos os 119 registros do ano passado.
Na capital, os números da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram que foram 81 casos apenas em outubro, o maior número para um mês desde setembro de 2022, quando o surto global do vírus estava em queda. Em setembro, já haviam sido confirmados 46 casos, 254% a mais que o registrado em agosto, quando foram 13 infecções, o que acendeu um alerta das autoridades de saúde.
Desde 2024, a cidade não tinha um mês com mais de 20 infecções. Ainda assim, em nota, a SMS disse que os casos registrados nos últimos meses "seguem dentro da oscilação esperada desde a introdução da doença em 2022", lembrando que, naquele ano, a cidade chegou a registrar 351 casos em um único mês.
A secretaria reconheceu que, em setembro, "houve uma elevação da curva da doença", mas diz que, desde 2022, há períodos com maior número de casos, como em dezembro de 2023, quando foram 46 notificações de mpox, mas "com redução da curva nos meses seguintes". "A Superintendência de Vigilância em Saúde mantém monitoramento contínuo da situação epidemiológica, com investigação oportuna dos casos e acompanhamento clínico dos pacientes, além de promover medidas de prevenção em controle em conjunto com demais áreas técnicas da SMS", complementa.
O que é a mpox? A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus de mesmo nome, do gênero Orthopoxvirus.
É considerada uma doença zoonótica por originalmente circular entre animais em determinadas regiões do continente africano, mas ter se adaptado nos últimos anos e passado a se disseminar de forma sustentada entre humanos. Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada.
A transmissão ocorre principalmente por contato direto com: Lesões ou erupções na pele de pessoa infectada;
Secreções corporais (pus, sangue das lesões, saliva); Objetos contaminados (roupas, toalhas, lençóis, utensílios);
Contato próximo e prolongado com secreções respiratórias. O período de incubação, que é o tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas, costuma variar de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias.
Os sinais mais comuns são: Erupções cutâneas ou lesões de pele
Adenomegalia - Linfonodos inchados (ínguas) Febre
Dor de cabeça Dores no corpo
Calafrio Fraqueza
As lesões podem ser planas ou elevadas, com líquido claro ou amarelado, evoluindo para crostas que secam e caem. Podem surgir no rosto, mãos, pés, boca, genitais, ânus e outras partes do corpo.
O Ministério da Saúde orienta procurar uma unidade de saúde se: Apresentar lesões na pele associadas a febre ou ínguas;
Teve contato próximo com caso suspeito ou confirmado; Pertence a um grupo com maior risco de complicações: pessoas vivendo com HIV/aids, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos.
"Pessoas com sintomas compatíveis com mpox, como lesões ou erupções na pele, devem procurar um serviço de saúde para avaliação. Durante o atendimento, os profissionais investigam possíveis exposições, orientam sobre os cuidados necessários e, quando indicado, realizam a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial.
Quem teve contato próximo com pessoas com suspeita ou confirmação da doença também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco de exposição e receber orientações sobre o monitoramento de sinais e sintomas, como lesões na pele, febre e aumento dos linfonodos", diz o Ministério da Saúde.
O diagnóstico é realizado por meio de exame feito com amostras coletadas, preferencialmente, a partir da secreção das lesões. A maioria dos casos evolui para melhora entre 2 e 4 semanas.
Não há tratamento específico aprovado para mpox. Por isso, o manejo consiste no alívio dos sintomas, na prevenção e tratamento de complicações e em cuidados clínicos de suporte, caso o quadro evolua para um estágio mais grave, enquanto o próprio sistema imunológico combate o vírus.
Além da vacinação nos grupos elegíveis, o Ministério da Saúde afirma que a principal forma de prevenção é evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Por isso, recomenda-se:
Não compartilhar objetos pessoais Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel
Lavar roupas, toalhas e lençóis com água e detergente Limpar e desinfetar superfícies
Cumprir isolamento até o fim do período de transmissão
O Globo