Vacina contra ebola da equipe de Oxford da Covid se aproxima da produção para testes

Vacina contra ebola da equipe de Oxford da Covid se aproxima da produção para testes

 

Fonte: Bandeira



A produção de uma vacina experimental contra o ebola desenvolvida pelos mesmos criadores de uma dose contra a Covid deve começar em breve. Estudos em animais estão em andamento, e pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, correm para disponibilizar a ferramenta muito necessária para enfrentar o surto que avança rapidamente.

Se tudo der certo, os ensaios clínicos do imunizante, já em humanos, podem começar em dois a três meses, afirmou Teresa Lambe, chefe de Imunologia de Vacinas do Instituto de Ciências da Pandemia da universidade, em uma coletiva de imprensa:

— Estamos cautelosamente otimistas em relação a esse cronograma.

Estudos em animais, que são necessários para que uma vacina possa ser testada em humanos, já começaram, e outros devem começar em breve. A equipe de Oxford trabalha para enviar o material inicial necessário para fabricar a vacina ao seu parceiro, o Instituto Serum, da Índia, “o mais rápido possível".

— Esperamos ter doses clínicas, se necessário, dentro de dois a três meses, se tudo correr bem — complementou Teresa.

Não existe vacina ou tratamento aprovado para a espécie Bundibugyo do vírus ebola, que é o responsável pelo surto atual na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. Pelo menos outra vacina também está em desenvolvimento, mas a expectativa é que esteja pronta para testes mais tarde do que a de Oxford.

No momento, o surto está se espalhando mais rapidamente do que as equipes de resposta conseguem contê-lo, com as mortes suspeitas ultrapassando 220, e centros de tratamento sofrendo ataques devido à desconfiança da população com as autoridades de saúde. No meio de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que o cenário representa uma emergência de saúde pública de importância internacional, o estágio mais elevado de alerta do órgão.

A vacina de Oxford utiliza a mesma abordagem que serviu de base para a dose contra a Covid desenvolvida por Oxford junto ao laboratório AstraZeneca. Lições aprendidas no desenvolvimento desse imunizante ajudaram a acelerar a pesquisa atual.

Vacinas já existentes para outras cepas de ebola não estão sendo consideradas neste momento para profissionais de saúde da linha de frente, afirmou em entrevista Sania Nishtar, diretora-executiva da Gavi.

A Gavi, que ajuda a adquirir vacinas em nome de países, afirmou estar disposta a assumir um compromisso de compra antecipada para uma dose contra o ebola assim que houver alternativas prontas. Esse compromisso incentiva fabricantes a investir em testes, acelerar o desenvolvimento e faz com que ele “designem suas equipes principais para esse tema”, disse Nishtar.

Vários tratamentos também estão prontos para serem testados, incluindo o antiviral remdesivir, que foi utilizado no tratamento de infecções por Covid-19. Embora exista otimismo em relação ao início dos testes, especialistas alertam que ainda levará muitos meses até que esses produtos, caso se mostrem eficazes, estejam amplamente disponíveis.

— Como o desenvolvimento de vacinas é algo peculiar, e como apresenta desafios, acredito que as pessoas não querem prometer demais para depois encontrar um obstáculo que precise ser resolvido; os desenvolvedores de vacinas estão todos avançando o mais rápido que podem — diz Richard Hatchett, CEO da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias.