Vacina contra a gripe pode proteger contra infarto e AVC, mostra estudo; entenda como

 

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A vacinação contra a gripe pode reduzir significativamente o risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC) associados à gripe, mesmo entre pessoas que se infectam após receberem a vacina, de acordo com uma pesquisa recém-publicada na Eurosurveillance.

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Contrair gripe aumenta o risco de doenças cardiovasculares a curto prazo, e evidências existentes mostram que a vacina reduz o risco de infarto e AVC ao prevenir a infecção. O novo estudo, que incluiu 1.221 adultos com 40 anos ou mais na Dinamarca, investigou o quanto o risco aumentava após a infecção e se a vacina poderia reduzir esse risco adicional mesmo que as pessoas já estivessem infectadas.

O estudo utilizou dados do registro de saúde dinamarquês de 2014 a 2025 e incluiu indivíduos com 40 anos ou mais que tiveram sua primeira internação hospitalar por ataque cardíaco ou AVC em até um ano após uma infecção pelo vírus da influenza. Foram incluídas todas as infecções pelo vírus da influenza confirmadas em laboratório que ocorreram durante nove temporadas consecutivas de gripe, com um período de observação de 365 dias antes e depois de um teste positivo para influenza.

A população do estudo incluiu 660 homens e 561 mulheres com 40 anos ou mais, com idade mediana de 75 anos. A maioria dos pacientes foi hospitalizada devido a um AVC (65%), enquanto 35% sofreram um infarto do miocárdio.

Das 1.231 infecções pelo vírus influenza confirmadas por teste de PCR, cerca de metade ocorreu após a vacinação. O risco de hospitalização por essas condições cardiovasculares pela primeira vez durante a primeira semana após um teste positivo para influenza foi significativamente maior do que em qualquer outro período; o risco triplicou para AVC e quintuplicou para ataque cardíaco.

Mas esse aumento de risco foi reduzido pela metade em pessoas infectadas que haviam sido vacinadas contra a influenza naquela temporada.

"Se confirmado por estudos adicionais em outros contextos, isso reforçaria a importância de priorizar a vacinação contra a gripe entre pessoas com risco de doenças cardíacas ou AVC e apoiaria o aprimoramento das recomendações em toda a Europa", afirmam os autores.

Em relação aos mecanismos de proteção, a gripe forte causa inflamação no corpo, o que pode romper placas de colesterol nas artérias e levar a um AVC ou infarto. A vacina evita essa inflamação aguda, protegendo o sistema cardiovascular.

O estudo não levou em consideração as diferenças de eficácia entre as vacinas contra influenza, que podem variar dependendo da correspondência entre a formulação da vacina e as cepas virais circulantes naquela temporada. Também não foi possível avaliar se o momento da vacinação ou o sexo afetaram os resultados. Além disso, os resultados podem não ser diretamente aplicáveis ​​a populações ou contextos com epidemiologia da influenza, sistemas de saúde ou estratégias de vacinação diferentes.

Segundo os autores, "destacar a dupla proteção oferecida pela vacinação, contra a infecção e suas complicações cardiovasculares, pode ter um impacto substancial na saúde pública". Incluir a proteção adicional da vacina contra essas condições em análises econômicas e de ônus da doença também pode ajudar a fortalecer a justificativa econômica para os programas de vacinação contra a gripe.