Uso de canetas emagrecedoras impulsiona procura por procedimentos estéticos para recuperar firmeza do rosto
O avanço do uso no Brasil de medicações injetáveis para diabetes e obesidade (análogos de GLP-1 E GIP), como Ozempic e Mounjaro, tem provocado um novo movimento nas clínicas de estética: a busca por procedimentos para recuperar a firmeza e o contorno facial após o emagrecimento acelerado. Bioestimuladores faciais, preenchimento com ácido hialurônico e toxina botulínica estão entre os tratamentos mais procurados por pacientes que relatam flacidez e aspecto envelhecido no rosto depois da perda de peso.
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Um levantamento interno da rede Espaço Facial com 81 profissionais aponta que 93% observaram aumento direto na procura por intervenções motivadas por esse tipo de emagrecimento. Os bioestimuladores lideram a demanda, citados por 86% dos entrevistados, seguidos pelo preenchimento facial, mencionado por 62%, e pela toxina botulínica, presente em 46% das solicitações.
A principal queixa dos pacientes está relacionada à perda das chamadas “almofadas de gordura” do rosto, responsáveis pela sustentação facial. Com a redução de volume, especialmente no terço médio e inferior da face, tornam-se mais evidentes sinais como olheiras profundas, têmporas fundas, sulcos marcados e flacidez.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), o fenômeno tem levado homens e mulheres aos consultórios dermatológicos. A diretora da entidade, Sylvia Ypiranga, explica que o processo se assemelha ao envelhecimento natural.
— Sempre houve procura por tratamentos após emagrecimento. A primeira onda ocorreu no advento das cirurgias bariátricas e agora, recentemente, com as canetas. Quanto mais rápida a perda de peso, mais rápida é a perda volumétrica e consumo de colágeno e elastina, com menor tempo para recuperação natural. A idade pode interferir, pois em pacientes que já iniciaram um processo de envelhecimento, a perda de peso pode intensificar os sinais” — afirma.
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Os bioestimuladores faciais são apontados como principal alternativa para esses casos por estimularem a produção natural de colágeno e elastina, com melhora gradual da firmeza e da elasticidade da pele. O tratamento também pode ser aplicado em outras áreas do corpo afetadas pela flacidez.
Já o preenchimento facial com ácido hialurônico é indicado para reposição de volume e redefinição de contornos. O procedimento é minimamente invasivo, realizado com pequenas injeções em pontos estratégicos do rosto, e é popularmente associado à harmonização facial.
A toxina botulínica, conhecida como botox, atua na suavização de linhas de expressão, principalmente na testa, entre as sobrancelhas e ao redor dos olhos. Especialistas ressaltam, porém, que o método não corrige flacidez nem repõe volume facial.
Além desses procedimentos, tecnologias como ultrassom microfocado, radiofrequência e fios sintéticos também têm ganhado espaço entre as opções terapêuticas.
Novo público
O impacto do fenômeno vai além da ampliação da procura por tratamentos. Segundo a Espaço Facial, 54% dos profissionais identificaram a chegada de novos públicos às clínicas, formados por pacientes que nunca haviam recorrido a procedimentos estéticos.
Esse crescimento acompanha a expansão do uso das canetas emagrecedoras no país. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, o consumo desses medicamentos aumentou 88% no Brasil em 2025.
