Urgência para PLP dos combustíveis requer frieza na relação com o Congresso, apontam integrantes do governo

 

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Apesar da crise política instalada com a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), a gravidade da situação internacional demanda que o governo tenha frieza para lidar com o Congresso e manter sua margem de ação nos temas de interesse. Ainda que parte do campo governista esteja falando em ruptura, outros integrantes apontam que a necessidade avançar em temas com o projeto de lei complementar (PLP 114/2026) dos combustíveis, crucial para segurar o preço da gasolina, dexige disposição de negociar.

A aprovação rápida do PLP 114, enviado na semana passada, é vista como crucial pela crescente pressão para que a Petrobras eleve o preço da gasolina. Mesmo já claramente administrando o valor do combustível, a estatal tem limites para fazer isso e em algum momento terá que reajustar e, se não houver desoneração, o impacto na bomba será muito forte — afetando a inflação e a própria percepção política sobre o governo, já bastante machucada.

A semana está chegando ao final sem que a deputado Marussa Boldrin (Republicanos – GO) tenha apresentado seu relatório, um sinal ruim, dado que o governo queria já aprovar a matéria na Câmara nessa semana. Pelo menos a urgência foi aprovada ontem pela Câmara, o que ajuda a acelerar o processo e dar um horizonte de que o tema poderá avançar na semana que vem, mas o governo precisará trabalhar.

É claro que não há muitos incentivos para o Congresso não avançar nesse tema, dado o ano eleitoral e o risco de ser acusado de alimentar a inflação e prejudicar o povo. Ainda assim, a forte instabilidade política e o acirramento dos ânimos podem fazer os parlamentares jogarem com o tempo e deixar o governo em situação complicada. A realidade é que a fatura para o Planalto subiu e a articulação do governo terá que ser bastante hábil.

Embora seja um revés sem precedentes, fontes lembram que Lula já passou por outras situações muito complicadas e pode, mais uma vez, conseguir reverter a crise política em que o governo está enredado. O problema é que a derrota de Messias, mesmo considerando todas as circunstâncias que ela envolve, também levanta dúvidas sobre se Lula mantém sua sagacidade política.