A questão do saneamento básico, uma das chagas brasileiras, tem alguns avanços importantes. Mas, segundo o economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria e que acompanha o tema com lupa, mesmo com um ritmo recente maior de investimento, a universalização dos serviços, prevista por lei para 2033, só deve ocorrer, segundo suas contas, lá por volta de 2047.
Frischtak diz que a aprovação pelo Congresso do Novo Marco Legal para o setor, em 2020, produziu bons frutos. Para este ano, ele projeta, por exemplo, R$ 47,7 bilhões de investimentos em saneamento, frente a uma média na década passada de R$ 21,5 bilhões (a preços constantes de 2026).
"O salto foi impulsionado pelo setor privado, que atuava em 291 municípios em 2019 e hoje o faz em 2.720 cidades", comemora. Ainda assim, falta muito para a universalização dos serviços.
"Acelerar o investimento é essencial para que o país pague a dívida com os sem saneamento, a parte da população mais pobre, que mais adoece, cujas crianças menos aprendem", diz. O economista deixa uma pergunta: "Por que não direcionar parte dos recursos das emendas parlamentares para um fundo de universalização?"
O Globo