União Europeia recomenda que companhias aéreas evitem espaço aéreo iraniano diante de ameaças dos EUA

 

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A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) recomendou nesta sexta-feira que as companhias aéreas evitem o espaço aéreo iraniano devido à possibilidade de ataques aéreos dos Estados Unidos e ao estado de alerta elevado das forças armadas iranianas.

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Em um boletim, a agência aconselhou as companhias aéreas a "não operarem no espaço aéreo do Irã" em nenhuma altitude. O órgão citou, em particular, "a situação atual e o potencial de ação militar dos EUA, que colocou as forças de defesa aérea iranianas em estado de alerta máximo" e provocou "uma probabilidade maior de identificação incorreta dentro do espaço aéreo iraniano".

Imagens de satélite reveladas pela imprensa americana na quinta-feira indicam que os Estados Unidos deslocaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque do Mar da China Meridional em direção ao Oriente Médio, em meio à escalada de tensão entre Washington e Irã, marcada por ameaças reiteradas de ataque do presidente Donald Trump e por alertas de retaliação de Teerã. A movimentação ocorre dois dias depois de Trump encorajar os manifestantes iranianos ao afirmar que a "ajuda está a caminho", em referência à onda de protestos antigovernamentais no país, que já dura mais de duas semanas e deixou centenas de mortos.

O deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões, que inclui caças, destróieres de mísseis guiados e pelo menos um submarino, deve levar cerca de uma semana. Além disso, uma série de aviões de guerra, muitos deles vindos da Europa, deverá chegar à região em breve.

Na última quarta-feira, EUA e Reino Unido ordenaram a retirada parcial das suas tropas da base aérea de al-Udeid, no Catar, a maior instalação militar americana no Oriente Médio, como medida de precaução. Decisão aconteceu depois que Teerã respondeu as ameaças de Trump, dizendo que, se houvesse a ofensiva, teria instalações americanas e israelenses como "alvos legítimos" — assim como fez em junho do ano passado, durante uma guerra de 12 dias, quando os EUA bombardearam o sistema nuclear iraniano e o regime reagiu lançando mísseis contra al-Udeid, que abrigava cerca de 10 mil soldados americanos.

Ouvidas pelo New York Times sob condição de anonimato, duas autoridades americanas disseram que o aumento no arsenal tinha como objetivo tanto dissuadir o regime de infligir mais violência aos manifestantes quanto fornecer a Trump — encorajado pela operação bem-sucedida que capturou o líder chavista Nicolás Maduro no início do ano, na Venezuela — mais opções no planejamento de um possível ataque militar ao Irã.

Agora, caso os EUA ataquem Teerã, espera-se que o regime retalie novamente. Por isso, o Pentágono, além do grupo de ataque do porta-aviões, também está enviando mais equipamentos de defesa aérea, incluindo mísseis interceptores, para proteger as bases na região, principalmente al-Udeid, localizada a 190 km ao sul do Irã.

(Com AFP e New York Times)