União de Maricá estreia no Grupo Especial com investimento recorde e aposta em gestão para permanecer na elite

 

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Fundada há pouco mais de uma década, a União de Maricá chega pela primeira vez ao Grupo Especial do carnaval do Rio após ser campeã da Série Ouro em 2026. Logo após a conquista do título, começou o buburinho sobre a capacidade da escola de evitar o que parece ser uma sina: a agremiação que sobe em um ano desce no seguinte.

União de Maricá vence a Série Ouro e chega ao Grupo Especial

Debutante do Grupo Especial acerta com Edson Pereira como carnavalesco para 2027

A estreante no grupo de elite do carnaval enfatiza que priorizará a boa gestão, com valorização dos profissionais e geração de renda.

— Não temos pretensão de vitória no Grupo Especial. Queremos consolidar a escola com organização, equipe qualificada e investimento sustentável para, assim, permanecer na elite — resume o prefeito de Maricá e presidente de honra da agremiação, Washington Quaquá (PT).

O projeto da União de Maricá é estruturado e planejado em parceria com a gestão municipal. A ideia é transformar o pavilhão em símbolo da identidade maricaense, fazendo da escola um local de pertencimento, onde o morador tenha acesso a cultura, arte e geração de renda. Ao mesmo tempo, o nome da cidade é projetado nos cenários nacional e internacional.

Componentes da União de Maricá no desfile 2026

Alex Ferro | Riotur

— Nossa escola tem um papel social profundo, e sabemos da importância da comunidade. A integração é muito forte com a população da cidade — reforça Matheus Santos, presidente da União de Maricá.

Leandro Vieira, carnavalesco que assinou o desfile campeão e se despediu da escola essa semana para seguir na Imperatriz Leopoldinense, já que não poderia acumular dois trabalhos no Grupo Especial, faz questão de endossar que a conquista é resultado da combinação de um barracão estruturado e, principalmente, da união da comunidade:

— Quando há um cronograma claro e as verbas entram na hora certa, a qualidade dos investimentos é outra, ajudando no melhor desenvolvimento do trabalho. Encontrei uma escola que se descobriu como vocação territorial. Fundar uma escola de samba é isso: aquilombar e representar espaços.

Para assumir o posto, quem chega é Edson Pereira, carnavalesco que estava há dois anos na Unidos da Tijuca.

— A Maricá é nova, mas já mostra ser uma grande escola. Visto essa camisa com honra — orgulha-se.

Sucessor de Leandro Vieira: Edson Pereira é o novo carnavalesco da União de Maricá

Ney Júnior / união de Maricá / Divulgação

No planejamento para o futuro está a criação de cursos profissionalizantes em diferentes áreas da indústria do carnaval, como aderecistas, escultores e cenógrafos. Alguns deles serão inéditos em Maricá e, segundo a prefeitura, as inscrições serão abertas ainda este ano para moradores da cidade.

O município já conta com a Unicarnaval. Segundo o prefeito, é a “única universidade do mundo dedicada à economia criativa do carnaval”. É nesse espaço que a rainha de bateria Rayane Dumont exerce uma de suas funções junto à comunidade. Ela já participou de oficinas da agremiação.

— Ser rainha aqui não é só estética, é atuar junto à comunidade. Além do projeto social que desenvolvo com a escola, me coloco à disposição para ser modelo no curso de maquiagem na Unicarnaval — conta a rainha.

Investimento histórico

Após a conquista do título da Série Ouro, Washington Quaquá chamou atenção ao anunciar que faria o maior investimento da história do carnaval do Rio para 2027: R$ 30 milhões. Com exclusividade ao EXTRA, prefeito de Maricá explica como pretende distribuir esse valor.

O investimento não é exclusivo para o desfile, mas para toda a cadeia produtiva: barracão, fantasias, alegorias, equipe técnica, artistas, logística, comunicação e formação profissional.

— Queremos que Maricá se torne referência na indústria do carnaval, com qualificação profissional e geração de novos empregos. O objetivo é formar mão de obra e estruturas que possam auxiliar também as demais escolas — planeja Quaquá.

O prefeito fala ainda sobre a expectativa em relação a grandes contratações:

— Já falaram até que Tia Surica vem puxando ala, que Neguinho da Beija-Flor assinou contrato vitalício. A verdade é que todo o planejamento é feito com os pés no chão. A gente respeita a história do carnaval, mas trabalha firme para construir a nossa.

Entre especulações e confirmações, outros grandes nomes já foram anunciados na equipe da União de Maricá.

Contratações de peso

A escola começou com a renovação da parceria com o intérprete Zé Paulo Sierra, que se despede da Portela para se dedicar exclusivamente à Maricá. Mauro Amorim, diretor de carnaval também segue no pavilhão. O mesmo acontece com o cobiçado coreógrafo de comissão de frente Patrick Carvalho. Até então, ele fazia jornada dupla com a Imperatriz.

— Na Série Ouro, a escola já me deu toda a estrutura de Grupo Especial. Posso dizer que, daqui a pouco, Maricá será a escola em que todo mundo vai querer estar. Trabalhar aqui é fazer parte de uma família que vislumbra grandes resultados — valoriza Patrick.

Casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho Nascimento e Rute Alves

Reprodução Redes Sociais

A escola também anunciou o mestre-sala Julinho Nascimento e a porta-bandeira Rute Alves. Junto desde 2008, o casal já conquistou um título na Série Ouro e três no Grupo Especial, incluindo o deste ano, todos com a Viradouro.

Ontem, quem chegou foi ninguém menos que Nilo Sérgio. O mestre de bateria, que por 20 anos comandou os ritmistas da Portela, vai fazer dobradinha à frente da Maricadência com Paulinho Steves, que renovou com a escola.