União Brasil mira bancada de deputados, sinaliza apoio a Lula no Ceará e pode impor revés a Ciro Gomes
A intenção de Ciro Gomes (PSDB) de disputar o governo do Ceará enfrenta obstáculos e o ex-ministro e ex-governador vê ameaçada a tentativa de atrair o União Brasil para sua aliança. O partido tem se aproximado do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no estado, e hoje vê como mais provável o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
O comando nacional do União Brasil tem sido acionado tanto por Ciro Gomes quanto por aliados de Lula. Embora tenha adotado um discurso de oposição no fim do ano passado, com a proibição de filiados exercerem cargos no governo federal, a legenda se aproximou de Lula nos últimos meses, principalmente no Nordeste.
Integrantes ligados à cúpula nacional do União dizem que hoje a prioridade da sigla é eleger o maior número possível de deputados federais e que os acordos regionais serão fechados pensando nisso. Por esse critério, a presidência nacional do partido, comandada por Antonio Rueda, vê hoje uma aliança com o PT no Ceará mais atrativa do que com o grupo de Ciro Gomes.
O mesmo cenário de aproximação com a esquerda acontece em Pernambuco, mas com maiores entraves. O União Brasil quer apoiar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), a governador, mas o PP no estado, representado pelo deputado Eduardo Fonte, que tem influência na federação, é aliado da governadora Raquel Lyra (PSD), que deve tentar a reeleição.
Na Bahia, por sua vez, a federação caminha para fazer oposição ao PT com a candidatura de ACM (União Brasil) a governador contra o atual ocupante do cargo, Jerônimo Rodrigues (PT).
Em nível local, o União Brasil está dividido sobre quem apoiar no Ceará. Os deputados federais Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, além de parte dos prefeitos do interior do estado filiados à sigla, querem uma aliança com o PT.
Por outro lado, o deputado federal Danilo Forte e o ex-deputado Capitão Wagner são a favor de um acordo com Ciro Gomes e o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A oposição já começou a sinalizar quais espaços seriam distribuídos para os partidos de sua aliança. A ideia seria que Ciro disputasse a cadeira de governador, Capitão Wagner se candidatasse a senador e o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) e o PL completassem a chapa nos espaços de vice-governador ou senador.
Ciro Gomes jantou no começo de fevereiro com o presidente do União, Antonio Rueda, e o presidente do PP, Ciro Nogueira (PP), mas ainda não tem garantido o apoio da federação à sua candidatura.
— Esse apoio foi defendido em um jantar que fiz em minha casa no início do mês — disse o deputado Danilo Forte, anfitrião do encontro.
Integrantes da cúpula da federação dizem que Ciro Gomes precisa mostrar que terá candidatos a deputados federais mais competitivos do que o grupo que apoia o PT.
Ciro teria prometido filiar seus principais aliados ao União e não ao PSDB para garantir o apoio da federação, mas a direção do União espera essa promessa se concretizar para bater o martelo sobre o apoio.
O PP no estado tem uma maioria a favor do PT e de Lula, mas a tendência é que a decisão se concentre no União Brasil, que tem um número maior de deputados federais.
O União Brasil, que deve formar uma federação com o PP, ainda não decidiu quem vai apoiar para presidente. Há uma tendência de que o grupo fique neutro nas eleições presidenciais. Mesmo na hipótese de um apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), algumas alianças locais com o PT devem ser liberadas.
A expectativa é que os acordos regionais comecem a ficar mais claros a partir do final do mês, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve se manifestar sobre o pedido do União e do PP de formarem uma federação.
Enquanto isso, o próprio Ciro tem evitado antecipar se será candidato:
— É o começo de uma caminhada que, no fim, vai dar uma decisão se eu sou candidato ou não. Mas antes eu tenho que conversar, e a conversa é aqui dentro, porque tem uma briga. Meu juízo dizendo pra eu não ser candidato e meu coração já todo balançado para eu ser candidato — disse no último dia 7 em um evento com aliados da oposição.
O PSDB, no entanto, tem descartado a chance de ele não se candidatar.
