Uma semana após prisão de síndico, corpo de corretora assassinada em Goiás é liberado para sepultamento
Uma semana após a prisão do síndico Cléber Rosa de Oliveira, suspeito de matar a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, o corpo da vítima foi liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML) para a família realizar o velório e o sepultamento. A cerimônia poderá ocorrer após a confirmação oficial da identidade do corpo encontrado na semana passada, depois de 42 dias de buscas.
Corretora desaparecida em Goiás: síndico confessa assassinato, relata discussão em subsolo e aponta local do corpo
'Tudo culpa dela': mães relatam angústia e desafios de buscar filhos desaparecidos há anos
Segundo informações repassadas à família, o resultado do exame de identificação já foi concluído, e o procedimento agora entra na fase final de liberação do corpo. Ainda não há confirmação oficial sobre data, horário e local do velório e do enterro, mas a expectativa é de que as cerimônias ocorram entre quinta e sexta-feira desta semana.
Como o síndico planejou o assassinato da corretora?
A causa da morte ainda depende a conclusão do laudo da perícia, mas o advogado Plínio César Cunha Mendonça afirmou que a Polícia Civil repassou preliminarmente a informação de que foi encontrada uma bala na cabeça da vítima. Não se sabe, ainda, o que ocorreu nos últimos momentos em que Daiane estava viva.
— Ali são inúmeras coisas que podem ter acontecido. Nós não temos o laudo definitivo sobre isso. Ele pode ter usado algum produto químico para desmaiar ela, ele pode ter sufocado ela até a morte lá mesmo — disse o advogado ao g1.
Cléber disse à polícia que a arma usada no crime foi jogada dentro do rio Corumbá, perto de onde o corpo de Daiane foi encontrado, ainda segundo o advogado. O síndico adotou estratégias para tentar não ser pego e despistar os investigadores.
Embora tenha sido apontado oficialmente como responsável pela morte de Daiane na última quarta, Cléber era considerado suspeito desde o início da apuração, dado o histórico de desavenças com a corretora. Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro, quando desceu para religar a luz de seu apartamento no subsolo, onde teriam ocorrido uma discussão e o assassinato. Segundo a polícia, após o crime, Cléber apresentou imagens de apenas três das dez câmeras do prédio e evitou utilizar os elevadores, priorizando as escadas, para não ser filmado.
Por que o filho do síndico também foi preso no caso da corretora desaparecida?
Cléber deu versões diferentes sobre o trajeto percorrido de carro e, segundo o jornal O Popular, teria orientado um dos porteiros a dizer que não vira nada, caso fosse questionado por policiais. Segundo a principal linha de apuração, o síndico transportou o corpo de Daiane num carro até uma área de mata da cidade, onde foi encontrado. Seu filho Maykon Douglas de Oliveira também foi preso sob suspeita de obstrução de justiça.
No curso das investigações, a perícia realizada no veículo utilizado pelo suspeito levou os policiais a identificarem que Maykon comprou um telefone celular novo para o pai logo após Cléber retornar do local onde o corpo foi encontrado. Para a polícia, a conduta configura indícios de tentativa de obstrução das investigações.
Qual era a motivação do crime?
De acordo com os investigadores, a motivação do homicídio é considerada torpe e está relacionada a desentendimentos recorrentes entre a vítima e o síndico envolvendo a administração de apartamentos no edifício, especialmente após episódios em que a energia elétrica do imóvel de Daiane teria sido desligada. A polícia apura se o fornecimento foi interrompido de forma intencional em mais de uma ocasião.
O que mostram os últimos vídeos gravados por Daiane antes de descer ao subsolo do condomínio?
No dia do desaparecimento, em 17 de dezembro, Daiane percebeu que seu apartamento estava sem energia elétrica e foi até o hall do prédio, onde constatou que a falta de luz atingia apenas a sua unidade. Às 18h56, ela gravou vídeos relatando a situação e os enviou a uma amiga. Imagens das câmeras de segurança mostram que, três minutos depois, às 18h59, ela entrou no elevador e desceu até o subsolo, onde fica o quadro geral de energia do edifício. Durante o trajeto, a corretora continuou gravando e encaminhando os vídeos.
Segundo a polícia, esse procedimento de desligamento e religamento da energia já teria ocorrido outras vezes, mas a confirmação dos detalhes depende da conclusão da perícia. Após a descida ao subsolo, não há mais registros da movimentação de Daiane pelas câmeras do prédio.
Cléber Rosa de Oliveira já havia sido denunciado pelo Ministério Público de Goiás pelo crime de perseguição reiterada, conhecido como stalking, contra Daiane. A acusação cita agressões físicas e verbais, além de monitoramento constante e perturbação das atividades da vítima ao longo de cerca de dez meses. À época, a defesa do síndico negou as acusações.
Initial plugin text
(*Estagiário sob supervisão de Alfredo Mergulhão)
