Um prato cheio para prevenção
Já não há dúvidas de que uma alimentação equilibrada e saudável desempenha um papel importante na prevenção de diversos tipos de câncer, especialmente aqueles associados à obesidade e à inflamação do organismo. E, sim, já começo o texto encaminhando aquela recomendação do prato saudável, com preferência a alimentos in natura, grãos integrais, proteínas de boa qualidade, frutas e vegetais. Esse padrão não só contribui para reduzir o risco de câncer, como também ajuda a prevenir outras doenças crônicas, como as cardiovasculares.
Mas uma dúvida comum permanece: existem alimentos capazes de proteger contra tipos específicos de câncer?
Na edição mais recente do livro “Vencer o câncer de próstata”, lançada em fevereiro, um capítulo dedicado à nutrição traz dados importantes. Diversos estudos apontam a associação entre determinados alimentos e uma possível redução do risco da doença. Um exemplo é o licopeno, um potente antioxidante responsável pela coloração de alimentos como tomate, goiaba vermelha, melancia e pimentão. Algumas pesquisas sugerem que homens com maior consumo desses alimentos podem apresentar até 40% menos risco de desenvolver esse câncer.
Outros estudos também investigam o papel de diferentes componentes da dieta, como a cúrcuma, vegetais crucíferos (couve, brócolis, couve-flor e repolho) além de alimentos como romã, alho, cebola e nozes. Nutrientes como vitamina D, vitamina K2 e ômega-3 também têm sido analisados.
Essas evidências apontam caminhos interessantes, mas é importante reforçar: não existe um alimento capaz de prevenir, sozinho, o câncer. O que faz diferença é o conjunto de hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, não fumar e evitar o consumo de álcool são atitudes que, combinadas, ajudam a reduzir fatores de risco.
Vale destacar que o cuidado com a alimentação também é fundamental durante o tratamento. Um estudo recente da Universidade da Califórnia trouxe novos dados ao investigar a relação entre dietas baseadas em alimentos de origem vegetal e a qualidade de vida de homens com câncer de próstata. A pesquisa acompanhou 1.531 participantes com a doença em estágio localizado, que haviam sido tratados ou estavam em vigilância ativa.
Os resultados mostraram que a maior adesão a dietas baseadas em plantas esteve ligada a melhores desfechos em aspectos da qualidade de vida como função sexual, funcionamento intestinal, condição física e saúde mental.
E, quando se fala em estilo de vida, vale ampliar o olhar. Recentemente, voltou a circular uma imagem que propõe uma analogia entre alimentação equilibrada e atividade física, mostrando que também é possível “montar um prato” vida ativa. A ideia é combinar, de forma inteligente, atividades de mobilidade, exercícios aeróbicos, treinos de força e estabilidade, além de incluir movimentos no dia a dia, como deslocamentos, tarefas domésticas, trabalho e momentos de lazer.
Essa visão considera a vida como um todo e reforça a autonomia na escolha das atividades, estimulando a variedade de movimentos como estratégia de saúde a longo prazo. A prática regular de atividade física, assim como a alimentação, é um pilar importante na prevenção do câncer.
Assim, minha receita de hoje é olhar com mais atenção para o que está no prato no dia a dia. E, diante de dúvidas ou necessidades específicas, a orientação de um profissional de nutrição pode fazer toda a diferença.
No fim das contas, a mensagem é simples e consistente: o câncer é uma doença multifatorial, e sua prevenção também depende de múltiplas estratégias. Não há soluções isoladas, mas sim um conjunto de escolhas que, ao longo do tempo, constroem mais saúde e qualidade de vida.
