Um navio americano no meio do deserto da China? Imagens de satélite revelam réplica de embarcação americana de guerra em país asiático
Novas imagens de satélite mostram uma réplica em 3D de um navio de guerra americano no deserto do noroeste da China, em um aparente ensaio para testes de armamento, em meio à crescente rivalidade militar entre Pequim e Washington.
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Segundo a Newsweek, a estrutura, localizada na região de Xinjiang, parece representar um contratorpedeiro da classe Arleigh Burke, um dos principais modelos em operação na Marinha dos Estados Unidos. Essas embarcações são usadas como escolta de porta-aviões, plataformas de defesa aérea e sistemas de ataque de longo alcance, além de terem desempenhado funções em operações militares recentes no Oriente Médio.
A réplica foi identificada em uma zona de testes no deserto de Taklamakan, onde a China já construiu, nos últimos anos, vários alvos que imitam navios americanos. A área é associada a ensaios de mísseis balísticos antinavio, incluindo variantes hipersônicas apresentadas por Pequim em desfiles militares recentes.
Réplica foi identificada em uma zona de testes no deserto de Taklamakan, onde a China já construiu, nos últimos anos, vários alvos que imitam navios americanos
Reprodução: YouTube
Até agora, eram conhecidas pelo menos duas outras estruturas em formato de contratorpedeiros Arleigh Burke e duas réplicas de porta-aviões dos EUA, todas bidimensionais. A nova construção se distingue por ser tridimensional, o que pode permitir cenários de treinamento e testes mais realistas.
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O alvo foi identificado pelo pesquisador de fontes abertas Joseph Wen, baseado em Taipei, a partir de uma imagem de satélite captada em 11 de maio pela Vantor, empresa americana de inteligência espacial. Imagens anteriores, de 1º de fevereiro, já mostravam a estrutura interna do falso navio ainda em fase de construção.
De acordo com Wen, a réplica em tamanho real surgiu ao lado de uma linha férrea conhecida no campo de testes do Taklamakan, usada para transportar alvos móveis pelo deserto. O sistema ferroviário, com cerca de 37 quilômetros, já foi associado ao deslocamento de embarcações simuladas que poderiam carregar equipamentos destinados a imitar as assinaturas eletrônicas de navios de guerra americanos.
Esse tipo de instalação pode permitir ao Exército de Libertação Popular testar, em condições mais próximas da realidade, a identificação, aquisição e destruição de alvos navais. O processo envolve radares, sistemas de vigilância, comunicações e armamentos de longo alcance.
Para Bryce Barros, pesquisador associado do think tank GLOBSEC, a construção da réplica também funciona como um sinal de dissuasão. O analista disse à Newsweek que o alvo mostra que a China está estudando formas de destruir navios de superfície norte-americanos, além de embarcações derivadas da classe Arleigh Burke operadas pelas marinhas do Japão e da Coreia do Sul.
Um dos cenários que mais preocupa analistas militares é uma eventual crise em torno de Taiwan. A ilha, governada de forma autônoma, é reivindicada por Pequim como parte do território chinês, e as autoridades chinesas não descartam o uso da força para concretizar a reunificação.
Uma intervenção americana em defesa de Taiwan obrigaria a Marinha dos Estados Unidos a deslocar forças por vastas áreas do Pacífico. Para Pequim, qualquer tentativa de tomar a ilha exigiria capacidade de atingir, a longa distância, navios de combate que se aproximassem da região, incluindo grupos de porta-aviões.
A zona de testes navais no deserto não é o único local onde a China tem reproduzido ativos militares adversários. Mais a nordeste, em outro campo de treinamento terrestre, imagens de satélite mostram, desde pelo menos 2024, réplicas de aeronaves americanas, incluindo caças F-35 e F-22.
As forças chinesas também têm usado alvos que simulam infraestruturas de Taiwan. Em outubro, imagens de satélite mostraram que Pequim havia expandido uma réplica do Gabinete Presidencial de Taiwan e de outros edifícios administrativos importantes de Taipei na base de treinamento militar de Zhurihe, na Mongólia Interior.
Em 2015, meios estatais chineses já haviam transmitido imagens desse complexo de treinamento, que analistas associaram à preparação de possíveis ataques de “decapitação” contra a liderança de Taiwan.
A construção da nova réplica no deserto de Xinjiang surge, assim, como mais um sinal da atenção crescente da China à possibilidade de um confronto militar no Pacífico, sobretudo em cenários que envolvam navios norte-americanos, Taiwan e aliados regionais dos Estados Unidos.
